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07 de julho, 2000 Publicado às 20h30 GMT
Doença explode nos países pobres

A Aids já é responsável pela morte de 18,8 milhões

Uma pessoa é contaminada pelo vírus HIV a cada 12 segundos.

Segundo o Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids), mais de 34 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus causador da Aids, e a maioria delas deve morrer nos próximos dez anos.

Só no ano passado, mais de 5 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV. A maior parte dos infectados, cerca de 70%, está nos países africanos subsaarianos.

Destes, a África do Sul e o Zimbábue concentram a maioria dos casos, em proporções epidêmicas.

Segundo o Unaids, metade dos homens jovens adultos que vivem nesses países vão morrer em conseqüência da doença.

A ONU revela também que a Aids já matou 18,8 milhões de pessoas no mundo desde que foi detectada pela primeira vez no começo da década de 80.

Com 1,3 milhão de portadores do vírus HIV, a América Latina aparece em terceiro lugar na lista do Unaids, atrás da África e do Sudeste Asiático.

O Brasil encabeça a lista no continente latino-americano, com 530 mil pessoas infectadas.

A ONU alerta que, para frear a atual expansão da doença, será preciso aumentar drasticamente o volume de recursos disponíveis para prevenção e tratamento.

Só na África, as Nações Unidas acreditam que serão precisos investimentos de US$ 2 bilhões por ano.

Isso para evitar um crescimento mais acelerado da doença.

A evolução da Aids

A Aids, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, foi detectada pela primeira vez em 1981, nos Estados Unidos.

Um dos funcionários do Centro de Controle de Doenças de Los Angeles notou um aumento acentuado na requisição do medicamento pentamidina, utilizado no tratamento de um tipo específico de pneumonia.

A descoberta acabou levando a uma pesquisa científica que constatou uma concentração anormal da incidência da doença em homens gays da cidade de Los Angeles.

Dois anos mais tarde, os cientistas já sabiam que a deficiência do sistema imunológico era causada por um vírus e que ele não era transmitido apenas em relações homossexuais, como se pensou no princípio.

No final de 1983, com o aumento do registro de casos de Aids entre crianças, os médicos perceberam que a contaminação também se dava através da mãe, durante a gestação no útero.

Outro grupo de vítimas identificado nessa época foram os usuários de drogas injetáveis. No ano seguinte, 7 mil norte-americanos tinham desenvolvido Aids e foram registrados nos Estados Unidos mais de 2 mil mortos pela doença que já atingia mais de 50 países.

Algumas das principais causas da rápida expansão da doença pelo mundo são a atual facilidade de deslocamento proporcionada pela popularização das viagens aéreas; a comercialização em grande escala do sangue humano para doações e o número crescente de usuários de drogas injetáveis.

O vírus HIV

Rapidamente, a Aids assumiu proporções epidêmicas. No final da década de 80, já existiam mais de um milhão de pessoas infectadas só no continente africano.

Cientistas americanos e franceses conseguiram identificar em 1983 o vírus causador da doença, que foi batizado com a sigla HIV (vírus da imunodeficiência humana).

Outros vírus da mesma família do HIV são encontrados amplamente em macacos, o que deu margem a diversas especulações sobre a origem da variante humana.

Mas até agora nenhuma das versões históricas explica com segurança a passagem do vírus dos macacos para o homem.

As análises sugerem que as primeiras incidências da Aids no homem ocorreram por volta de 1930.

A identificação do HIV trouxe esperança de desenvolvimento de uma vacina contra a Aids.

Até agora, apesar dos esforços de pesquisa e desenvolvimento, os cientistas não tiveram sucesso.

Drogas

Em 1986, os médicos faziam os primeiros testes com o medicamento AZT, que rapidamente se transformou na única e pequena esperança dos pacientes infectados pelo HIV.

Ao longo da década de 90, o desenvolvimento de outras drogas e a combinação delas com o AZT apresentou resultado animador.

O chamado coquetel de drogas tem conseguido prolongar em mais de dez anos a vida dos soropositivos e devolver a eles o padrão de vida que tinha sido destruído pela doença.

A aplicação do coquetel de remédios e a intensificação das campanhas de conscientização e prevenção tem conseguido reduzir enormemente o número de mortes e estabilizar os índices de contaminação nos países do Primeiro Mundo.

Mas, segundo alguns especialistas, a descoberta de uma vacina realmente eficaz ainda deverá levar cerca de dez anos.

Tendências

Hoje em dia, o quadro de incidência da doença mostra uma mudança radical.

Atualmente a contaminação de indivíduos heterossexuais já é em vários países maior do que a de gays.

Na África, os jovens e as mulheres heterossexuais compõem hoje em dia o maior grupo atingido pela doença.

A falta de recursos para a divulgação e implementação de programas de prevenção facilita a disseminação da doença no continente africano.

Além disso, de acordo com a ONU, a Aids entra no século 21 deixando de ser um fenômeno predominantemente urbano. A epidemia começa a se deslocar para as áreas rurais dos países do Terceiro Mundo.

O resultado pode ser a destruição da base da economia desses países.

Para uma grande parte da população dos países pobres, a agricultura familiar é a única fonte de subsistência.

A redução do número de membros das famílias causada pela contaminação e morte dessas pessoas aumenta a pobreza e diminui o volume de produtos agrícolas que chegam aos centros urbanos, ameaçando desmoronar todo o sistema.

O elevado custo do coquetel de drogas atualmente em uso no tratamento, a dificuldade de promover os programas de prevenção e o ritmo veloz da disseminação da doença indicam que, se as tendências atuais não forem revertidas, a Aids poderá em pouco tempo reduzir drasticamente a população de alguns países do Terceiro Mundo, com um efeito devastador sobre a economia de regiões inteiras.
(Ricardo Acampora)

 

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