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04 de fevereiro, 2009 - 10h16 GMT (08h16 Brasília)

Tariq Saleh
De Beirute para a BBC Brasil

Estudantes criam esculturas a partir de armas no Iraque

Um projeto conjunto entre uma ONG iraquiana e a Universidade de Bagdá promove a criação de esculturas a partir de armas apreendidas no Iraque, um dos países mais perigosos do mundo.

As esculturas são feitas as partir dos metais de armas leves, como fuzis AK-47 e pistolas, e também peças de armamentos mais pesados, como lançadores de granadas e morteiros.

Graduandos da Faculdade de Artes da Universidade de Bagdá recebem o material da ONG IMCO, especializada em desativar minas terrestres e explosivos e destruir armas apreendidas pelas forças militares iraquianas e americanas.

O diretor da IMCO, Zahim Mutar, disse que o projeto começou em novembro do ano passado quando foram apreendidas cerca de 10 mil armas em cinco semanas de operações. Em média, são destruídas 800 armas por dia.

Segundo ele, há muitos projetos de destruição de armas em vários países, mas este seria o primeiro a transferir as peças para o incentivo à cultura.

“Para nós isto simboliza um novo Iraque, a transformação de meios de destruição e morte em algo que incentive a cultura e a paz”, disse Mutar.

Ele também revelou que o projeto prevê mais treinamento para os artistas, para que assim eles possam vender suas obras.

As esculturas criadas vão desde animais e veículos até ícones da história iraquiana.

“Estamos organizando para o mês de abril uma exposição com todos os trabalhos feitos pelos graduandos da universidade”, completou.

O dinheiro arrecadado, segundo Mutar, será revertido para orfanatos e para o tratamento de crianças feridas por bombas ou minas terrestres.

Armas

A IMCO foi fundada no final de 2003, após a invasão do Iraque por forças lideradas pelos Estados Unidos.

O Departamento de Estado americano envia fundos para a ONG, mas, de acordo com Mutar, a entidade opera com independência e todos seus funcionários são iraquianos.

“Nossa missão é apenas limpar o país de minas terrestres e outros explosivos, além de destruir os armamentos apreendidos pelos governos iraquiano e americano”, explicou Mutar.

Ele disse que o projeto de transformar as sobras de armamento em arte surgiu a partir da necessidade de reeducar as pessoas para os perigos da guerra que aflige o país.

As armas chegam ao depósito da IMCO na “zona verde”, uma área em Bagdá de alta segurança e onde ficam vários prédios do governo iraquiano.

No prédio da entidade, há uma máquina hidráulica que corta as armas para que sejam enviadas às oficinas de arte da universidade.

“Algumas destas esculturas fazem aprte da própria decoração da sede da IMCO em Bagdá”, enfatizou Mutar.