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Atualizado às: 03 de fevereiro, 2009 - 16h33 GMT (14h33 Brasília)
 
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Depoimentos revelam efeitos da crise pelo mundo
 
O comerciante argentino de gado Carlos Pujol
Pujol disse que o preço do gado despencou com a crise
A crise econômica que teve como estopim a escassez de crédito gerada pelo colapso, em 2008, do mercado imobiliário subprime nos Estados Unidos rapidamente ganhou proporções globais.

Repórteres da Radio 5 Live da BBC conversaram com pessoas em várias partes do mundo para saber como elas estão sendo atingidas.

Nos depoimentos a seguir, um vendedor argentino de gado, um publicitário indiano, um produtor de cacau da Costa do Marfim e um trabalhador australiano, entre outros, falam de suas experiências.

Argentina

O país sofreu um colapso econômico em 2001 e teve sua recuperação baseada, em grande parte, em produtos agrícolas como cereais e carne.

Carlos Pujol comercia gado no Mercado de Liniers, em Buenos Aires. Ele compra os animais dos produtores e os vende para as fábricas de processamento de carne.

"Assim como em todos os setores da economia, a demanda caiu aqui, mesmo que o preço da carne argentina seja subsidiado internamente. Ainda assim, o mercado se contraiu."

"Antes da crise nós fazíamos US$ 20 mil por tonelada. Agora, estamos fazendo entre US$ 10 mil e US$ 12 mil."

Índia

Ramjit Ray é dono de uma agência de publicidade e marketing em Calcutá.

"Os negócios estão definitivamente em queda, as coisas não são o que eram dois meses atrás", disse Ray. "Tivemos de reduzir o número de funcionários. Muitas pessoas achavam que a Índia não ia ser afetada pelo que está acontecendo na América e em outros lugares, mas agora percebemos que não estamos isolados do mundo."

"A média da população indiana não está sendo afetada - ela está mais preocupada em colocar comida no prato. São a classe média e os empresários quem está sendo afetado pela recessão."

"Eu espero que a recessão termine logo, porque as coisas estão realmente difíceis agora. Se no ano que vem não houver um início de recuperação, vai ser muito duro para todos nós."

Austrália

Goran Mawlud, de Sydney, está desempregado e diz que sua situação está bem complicada.

"Os problemas no mundo estão afetando todos. A minha situação está muito difícil. Tentei vários empregos. Eu e minha família estamos sendo afetados."

A iraniana radicada em Sydney Nassim Rezakhani, mãe de dois filhos, disse:

"Trabalho em regime integral e meu marido trabalha em regime integral, então não fomos realmente afetados. Mas tenho amigos que foram e estão tendo dificuldade para pagar as contas."

Richard Goscoomb, que trabalha na Igreja Anglicana de St. Thomas, no norte de Sydney, disse que sente um "pânico" na vizinhança.

"Assim que se vê uma crise como essa, começa a haver uma desintegração na unidade familiar", disse. "Quando você já está em uma sociedade que perdeu uma experiência genuína de comunidade, isto é algo que tem um alto custo porque as pessoas já estão isoladas. Este sentimento de isolamento é companheiro do medo."

Costa do Marfim

Aladji Mohamed Sawadogo, produtor de cacau e líder do vilarejo de Sinikosson, disse que os preços do cacau estão resistindo à crise.

"Nunca houve um preço bom para o cacau até hoje - as coisas estão melhorando", disse Sawadogo.

"Quando cheguei aqui o trabalho era realmente duro, e as crianças eram muito pequenas para trabalhar. Então foi só uma questão de cortar as árvores devagar e plantar o cacau. Não se fazia muito dinheiro."

O exportador Ali Lakiss, por outro lado, disse que os preços altos estão tendo impacto sobre a demanda.

"No momento, porque existe um déficit de cacau, os preços no mercado subiram. Não estamos conseguindo bons contratos porque o cacau está muito caro."

"Em segundo lugar, bancos na Europa não têm liquidez, não têm confiança nas pessoas, então a indústria está em recessão."

O fazendeiro Billy Kouame Celestin mora em Nando, perto da cidade de San Pedro.

"Plantadores de cacau marfinenses não estavam se beneficiando dos altos preços mundiais no início da safra do cacau em outubro, mas no final de 2008 começamos a sentir (a alta)", disse.

"Mas não estamos tendo ainda o retorno que tivemos em 2002. Talvez as coisas estejam diferentes no mercado mundial, mas aqui na Costa do Marfim ainda temos de alcançar o tipo de preço que conseguimos em 2002."

 
 
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