14 de janeiro, 2009 - 16h41 GMT (14h41 Brasília)
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, afirmou nesta quarta-feira que a ofensiva israelense em Gaza pode aumentar o extremismo islâmico no Oriente Médio e que um acordo de cessar-fogo na região só pode ser atingido se Israel concordar em acabar com o bloqueio contra a Faixa de Gaza.
"Os efeitos da guerra são mais perigosos do que a própria guerra, semeando as sementes do extremismo e do terror na região", disse Assad à BBC.
Em entrevista concedida ao editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, Assad afirmou que um cessar-fogo sustentável em Gaza só poderá ser atingido se as condições dos dois lados do conflito forem contempladas.
De acordo com o líder sírio, a condição para que os grupos militantes palestinos parem de lançar foguetes contra Israel é que o país respeite integralmente a trégua – o que, segundo ele, não aconteceu no passado – e que acabe com o bloqueio contra Gaza.
Assad ainda afirmou que o grupo militante palestino Hamas deve estar presente em qualquer negociação sobre a paz na região.
"O Hamas é influente. Isso é o mais importante", afirmou. "Então, eles têm que participar de qualquer ação (de paz) como condição para que ela seja bem-sucedida."
Resistência
Assad é considerado um importante ator na região e seu país abriga o líder do Hamas, Khaled Meshaal.
"Nós não atingimos a paz ainda porque Israel nunca cedeu desde o início das negociações, em 1991", disse o presidente sírio. "Assim, quando você não aceita os termos de paz, então tem que esperar resistência."
"As pessoas ficaram desesperadas quando a Organização das Nações Unidas (ONU) não alcançou nada nas negociações de paz, então a resposta normal (delas) é a resistência", acrescentou.
O presidente sírio se disse, no entanto, a favor do fim do contrabando de armas pela fronteira de Gaza com o Egito, uma das principais demandas de Israel, mas afirmou que isso seria apenas parte de "uma solução maior" para o conflito no Oriente Médio.
Obama
Bashar Al-Assad também criticou os líderes israelenses e afirmou que a política doméstica do país produziu governos "fracos", incapazes de empreender um processo de paz.
Segundo o líder sírio, o governo americano de George W. Bush também falhou ao desempenhar o papel de intermediário nas negociações.
Assad, no entanto, se disse "esperançoso" com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse no próximo dia 20 de janeiro.
"(Obama) precisa achar uma solução para o problema do Iraque, com a retirada do país, em paralelo com um processo politico", afirmou. "Ele também precisa se envolver seriamente e diretamente com o processo de paz no Oriente Médio."
"Ele será bem-vindo todas as vezes que quiser vir (à Síria) para cooperar com essas quastões", acrescentou Assad.