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Manifestações reúnem mais de 1 milhão na França
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Milhões de pessoas saíram às ruas na França, na quinta-feira, para reivindicar maiores garantias para seus empregos e salários
e também protestar contra os pacotes do governo para enfrentar a crise econômica que, na avaliação dos manifestantes, beneficiariam
apenas bancos e empresas.
Segundo a polícia, as manifestações desta quinta-feira reuniram cerca de 1 milhão de pessoas em todo o país. Já os sindicatos afirmam que este número pode chegar a 2,5 milhões. No total, cerca de 200 passeatas foram realizadas em várias cidades do país durante o dia de greve geral convocado pelos sindicatos. Em Paris, a manifestação reuniu 300 mil pessoas, de acordo com a confederação sindical CGT. A polícia, no entanto, informou que o número de manifestantes na capital foi de 65 mil. Foram registrados confrontos entre jovens e a polícia no encerramento das manifestações na capital francesa. Contestação Em um comunicado, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse julgar “legítima a preocupação dos franceses durante esse dia de manifestações e greve geral” e confirmou que irá se reunir com os sindicatos em fevereiro para “discutir o programa das reformas em 2009”. A greve desta quinta-feira foi considerada um grande teste político para o presidente Sarkozy. O governo teme que os protestos - até então isolados - contra reformas que envolvem diferentes categorias possam se transformar em um amplo movimento de contestação social no país. O número de manifestantes em toda a França, apesar das diferenças entre os cálculos da polícia e os dos sindicatos, é o maior já registrado em protestos realizados desde a posse do presidente Sarkozy, em maio de 2007. A última greve lançada por todas as centrais sindicais, unidas, ocorreu em maio de 2008 e reuniu entre 300 mil e 700 mil pessoas. As manifestações desta quinta-feira estão no mesmo patamar dos protestos realizados em 2006, na presidência de Jacques Chirac, contra uma lei que facilitava a demissão de jovens trabalhadores. O grande temor do presidente Sarkozy é que um amplo movimento nacional de contestação, como o que ocorreu em 1995 e paralisou os transportes durante um mês e acabou por desestabilizar o governo do primeiro-ministro, Alain Juppé, possa ocorrer novamente. Paralisação As passeatas tiveram maior participação do que a greve, que afetou serviços como transportes, educação, hospitais, correios, aeroportos e até empresas do setor privado, mas não chegou a paralisar a França. Até mesmo policiais participaram da manifestação em Paris para reivindicar melhores salários. Várias atividades funcionaram em ritmo mais lento nesta quinta-feira, mas não houve interrupção dos serviços. Os transportes públicos, por exemplo, circularam acima do esperado em várias cidades. Segundo a estatal ferroviária francesa SNCF, o número de grevistas atingiu 37%. Cerca de 15% dos operadores de vôo também fizeram greve, informou o Departamento Geral da Aviação Civil. De acordo com o governo, 26% dos funcionários públicos também participaram da paralisação. Os sindicatos, no entanto, afirmam que esse número está entre 40% e 45% do efetivo total. O setor da educação registrou forte adesão à greve, com uma média de 34,6%, de acordo com o ministério. No caso das escolas primárias, 48% dos professores fizeram greve, segundo o governo. Os sindicatos afirmam que esse número chegou a 67%. Setor privado Os sindicatos afirmaram que as manifestações desta quinta contra a política de Sarkozy corresponderam às suas expectativas e que houve uma grande mobilização popular. Já o porta-voz do governo francês, Luc Chatel, minimizou a dimensão da greve. “Em relação às manifestações dos últimos anos, não há um nível de greve excepcional. No setor público, ficou mesmo abaixo do registrado em outras mobilizações”, afirmou. Pela primeira vez nos últimos anos, o Partido Socialista participou dos protestos. Outro fator pouco comum nas passeatas foi a presença de trabalhadores do setor privado, como funcionários de bancos, supermercados
e empregados de grandes empresas que estão realizando demissões. |
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