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Atualizado às: 28 de janeiro, 2009 - 07h59 GMT (05h59 Brasília)
 
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Pobres ingleses...
 

 
 
Ivan Lessa (ilustração de Baptistão)
Pelo que vejo na internet, Maysa voltou à moda graças a uma minissérie. Boa. Melhor Maysa voltar à moda do que Anísio Silva.

Com Maysa, espero também que tenha dado o ar de sua (des)graça o chamado “samba de dor de cotovelo”. Ou fossa.

Tito Madi, que nunca deveria sair da moda, gravou no fim dos anos 60, início dos 70, uma série excepcional de LPs tudo na base da fossa.

Espero que esteja em CD. Está na minha lista dos discos de vinil mais tocados lá em casa.

Parece que foi hontem, como gosto de escrever. Curtia-se uma fossa. Era uma barra. Era bom.

Acontece que um dia, como o apóstolo São Paulo e o presidente Obama, deixamos as coisas de criança para trás e paramos com essa história de ser infeliz. Daí a bossa nova.

Claro que falar em lobo bobo, rolleyflex, fiau, bim bom, é exagero.

A BN exagerou. Talvez por isso tenha durado tão pouco e virado música de consultório de dentista e de elevador.

A verdade é que eu sempre acreditei que a alegria dos brasileiros, seja por suas gentes rebolando no carnaval e nas praias, nunca passou da maior lenda urbana do mundo.

Lenda urbana sem óleo de bronzear e com lança-perfume.

Somos fundamentalmente tristes. O produto de três raças tristes. Na frase célebre e discutida frase de Paulo Prado.

Só o fato de discuti-la me parece de uma tristeza infinita.

Cansei, pois, de nossas tristezas. Em busca de uma certa sobriedade, um devido meio-termo, nos anos 30 de minha existência, vim para Londres.

Tudo bem. O corretivo funcionou. Parece que até demais, fico sabendo agora.

A New Economics Foundation (NEF), mediante um amplo relatório publicado agora neste finzinho de janeiro, revela que os britânicos são uma gente cansada, entediada e solitária.

O estudo destina-se a examinar o que se convencionou chamar de “bem-estar”. Que parece que é isso mesmo: mera convenção.

Pesquisadores sérios, porém nada deprimidos, fizeram uma série de 50 perguntas a 42.000 pessoas em 22 países da Europa Ocidental.

O critério era simples: o bem-estar pessoal e o bem-estar geral, com ênfase em como o relacionamento com os outros pode contribuir para a – exageremos – “felicidade” pessoal.

Com base no bem-estar simples, a Grã-Bretanha chegou em 15º lugar, com a Dinamarca e a Noruega pegando as medalhas de ouro e prata.

Os habitantes do Reino Unido sentem-se isolados e infelizes (principalmente os jovens, conforme comprovou outro dia mesmo outro estudo) e só a Bulgária e a Estônia se equiparam a ela.

Um quinto da população britânica dorme mal, dos quais 28% acorda quase sempre com a sensação de não ter descansado nada.

Não param aí as tristezas, os “blues” britânicos.

São os cidadãos da Grã-Bretanha que possuem o menor índice de energia da Europa Ocidental. Só perdem para os espanhóis. Espanhol desanimado.

Quem diria, hem? Os britânicos formam a nação mais entediada, mais enfastiada, da mesma região - 8% dos pesquisados abriu o jogo. Sendo que destes um quinto considera suas atividades diárias absolutamente inúteis.

Peço licença para acrescentar um dado que não deve ter ocorrido aos ilustres pesquisadores da NEF: o camarada que topa responder a 50 perguntas sobre bem-estar pessoal e bem-estar social deve estar indo muito, mas muito mal mesmo em matéria de paisagem interior.

A solução, segundo a NEF, não está no Produto Nacional Bruto (PNB), que, para eles, nada significa.

A bem da verdade, a NEF não apresenta qualquer tipo de sugestão. Tristonhos, limitam-se a pesquisar, registrar e divulgar.

O remédio, diria eu, tomando emprestado o bem-estar da sensibilidade do poeta Manuel Bandeira, é não só tocar um tango argentino, como tentar compô-lo.

Se não der, tentem chapéuzinho vermelho, sal, sol, sul, barquinhos, essas bobagens. Por aí. É passageiro. Mas quem não é passageiro? (Sim, eu sei: todo mundo, menos o condutor e o motorneiro).

 
 
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