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04 de dezembro, 2008 - 12h17 GMT (10h17 Brasília)

Anelise Infante
De Madri para a BBC Brasil

Grupo acusado de escravizar prostitutas brasileiras é preso em Madri

A Polícia Nacional da Espanha prendeu 25 pessoas acusadas de manter mulheres brasileiras na prostituição através de ameaças, surras e consumo obrigatório de drogas.

A polícia disse também ter encontrado durante a blitz armas, cocaína e maconha.

Segundo as autoridades espanholas, a quadrilha era chefiada por dois brasileiros, dois espanhóis e dois colombianos. Eles foram detidos em um prostíbulo de Navas Del Rey, na região metropolitana de Madri, com 19 prostitutas brasileiras.

A polícia afirmou que as mulheres eram espancadas por não cumprirem as regras da quadrilha.

Elas também teriam sido vigiadas por seguranças armados e sofrido ameaças constantes, inclusive de que suas famílias no Brasil sofreriam conseqüências, em caso de desobediência.

Quatro das vítimas encontradas na blitz tinham marcas nos corpos provocadas pelas surras, de acordo com a assessoria de imprensa da Unidade contra as Redes de Imigração e Falsidade de Documentos (UCRIF) da polícia.

O grupo é acusado de controlar as mulheres 24 horas por dia durante toda a semana. Até para sair do prostíbulo deveriam estar acompanhadas por um leão-de-chácara.

Além de controlar a forma de elas se vestirem, seu comportamento nas salas do prostíbulo e seus horários de trabalho, a quadrilha também as teria forçado a consumir drogas.

Segundo a polícia, as brasileiras eram obrigadas a utilizar cocaína e maconha nos quartos para estimular os clientes a comprar entorpecentes no próprio prostíbulo.

'Escravidão'

Segundo investigadores, ao contrário da maioria dos casos em que há um aliciamento com falsas promessas de trabalho, as brasileiras desta quadrilha viajavam a Madri sabendo que trabalhariam na prostituição.

Mas desconheciam o sistema que os policiais espanhóis descreveram como “regime de escravidão”.

Quando fechavam acordo com a organização, recebiam passaporte, dinheiro e instruções para passar pela imigração do aeroporto de Madri como turistas.

No desembarque, elas eram levadas em táxis comuns até o prostíbulo sabendo que a dívida com os chefes era de 3 mil euros (aproximadamente R$ 9 mil).

A rede teria sido descoberta graças à denúncia de um cliente. Ele foi à delegacia depois de ter sido agredido por tentar sair do prostíbulo com uma das brasileiras.

Na blitz, foram apreendidos um revólver, 15 gramas de cocaína, 230 gramas de maconha, quatro latas de spray de autodefesa, 6 mil euros (cerca de R$ 18 mil) e vários tipos de documentos.

As 19 prostitutas brasileiras serão deportadas por situação irregular no país. Os chefes do grupo foram indiciados por crime de prostituição, lesões, coações, formação de quadrilha, tráfico de drogas e de armas, e violação dos direitos dos cidadãos estrangeiros.