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03 de dezembro, 2008 - 13h01 GMT (11h01 Brasília)

Uma em cada dez crianças sofre abuso nos países ricos, diz estudo

A cada ano, uma em cada dez crianças de países desenvolvidos é vítima de algum tipo de abuso, segundo estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica The Lancet.

De acordo com a pesquisa, compilada a partir de vários estudos anteriores realizados em países da América do Norte, Europa e Oceania, entre esses abusos estão negligência, agressão física, atos sexuais e abuso emocional.

Além disso, segundo os autores, apenas 10% dos casos de abuso são acompanhados pelas autoridades.

Os resultados mostram que o problema é mais grave do que se acreditava nas nações desenvolvidas.

Prejuízos a longo prazo

O estudo mostra que durante a infância, de 5% a 10% das meninas e até 5% dos meninos são expostos a atos sexuais com penetração - e até o triplo disso é exposto a qualquer tipo de abuso sexual.

O casos de agressão física afetam de 4 a 16% das crianças.

Em entrevista à BBC Brasil, a coordenadora da pesquisa, Ruth Gilbert, do Instituto de Saúde Infantil da University College London, alerta que a exposição a vários e repetidos episódios de maus-tratos contribui para a mortalidade infantil, e traz prejuízos que podem perdurar até a fase adulta, como problemas emocionais e mentais, abuso de álcool e drogas, comportamento sexual arriscado, tendência ao crime e até obesidade.

Segundo Gilbert, os serviços de proteção e atenção à criança estão falhando em detectar os casos de abuso, ja que muitos não são levados às autoridades por escolas, médicos e outros profissionais de saúde infantil.

"Seria impossível reportar todos os casos. Mas as autoridades têm que ter recursos para intervir o quanto antes, principalmente em histórias de abusos graves e freqüentes - antes mesmo de avaliar a gravidade da situação", afirmou a cientista.

A pesquisa vem à tona em meio a um grande debate sobre a competência dos serviços de assistência social da Grã-Bretanha, depois que um menino de 1 ano e 5 meses, conhecido apenas como "Bebê P.", foi morto violentamente pela mãe, seu namorado e um vizinho. Ele vinha sofrendo abuso meses antes, mesmo com o conhecimento de autoridades.

Gilbert disse que a publicação do estudo exatamente neste momento foi uma coincidência.