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Atualizado às: 31 de dezembro, 2008 - 10h56 GMT (08h56 Brasília)
 
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2009: listas, testes e resoluções
 

 
 
Ivan Lessa (ilustração de Baptistão)
Quer dizer então que nós, brasileiros, temos a já lendária queima de fogos de artifício a explodir e enfeitar os céus do Rio de Janeiro.

Gente à bessa na praia. Tudo de branco. Em todas as cores nos apartamentos à beiramar. Velas. Flores para Iemanjá. Ótimo. Formidável.

Aqui em Londres, quem for à rua – e como se vai à rua – corre tudo e se amontoa em Trafalgar Square.

Boa parte morre esmagada pela multidão, os que sobrevivem tentam se afogar na fonte da praça, aos pés do impávido almirante Nelson, felizmente hoje em dia apenas estátua, não sendo obrigado pois a assistir ao massacre ritual de todos os anos.

A maior parte das pessoas sensatas (que as há em saudável número) ficam em suas casas recebendo ou vão às casas dos outros para serem recebidos.

Uma taça de champanhe à meia-noite, nozes, salmão, petiscos vários, 12 uvas à meia-noite, ao começarem as badaladas do Big Ben, que é para dar sorte. Beijos, abraços, alvoroço.

No dia 1º. de janeiro, feriado. Este ano, a bem dizer ano que vem, cai numa quinta-feira. Prontamente enforcada, pois o hábito da forca pegou aqui, como já sabemos.

Sexta? Forca nela de novo. Quem tem filhos vai às pantomimas que ficam em cartaz até quase meados de fevereiro. Quem não tem, também vai. Solidão é fogo. Bolero não é para esta época do ano.

Tudo isso é bobagem. Ninguém leva (muito) a sério.

As principais ocupações no final do ano, o equivalente aqui aos esplendorosos que se passam na praia de Copacabana, são apenas três: fazer listas, ou róis, tentar resolver os complicados testes de conhecimento (quizzes) e, cada um, na sua privacidade, ou em meio à alacridade geral, enumerar decisões para o ano que apenas se inicia.

Não há jornal que se preze, ou mesmo que se menospreze, que não publique a sua relação dos principais fatos que marcaram o ano que passou.

Só para chatear, no meu entender. Depois de uma certa idade, todos os anos são iguais em seus – e vou logo pedindo perdão – acontecimentos desagradáveis marcantes, para não chamar logo de canalhices.

Quem disse o quê... Quem morreu… Que país levantou os braços para os céus e pediu ajuda humanitária, pelo amor de Deus... Uns fazem graça. Nenhum ano tem graça. Nem 10.000 a.C nem 2008.

As listas. Ah, as listas. Os melhores filmes, os piores filmes, livros que marcaram, gente que morreu (cada ano morre mais gente), o que entrou e o que saiu de moda.

Pensando bem, esse pessoal que cai de porre na fonte de Trafalgar Square não deixa de ter sua razão.

E os testes? As respostas sempre de cabeça para baixo na última página. As perguntas de cabeça para cima nas cinco páginas que a precederam.

Arthur Blythe-Cummings ficou conhecido pelo quê? O que foi que aconteceu no dia 17 de fevereiro às 4 e meia da tarde? Se um trem sai da estação de Waterloo às 8 e 20 da manhã a que horas chegará a Guildford se... Pois é. Por aí.

Tentei nos meus dois primeiros anos de Inglaterra. Depois desisti e, como todo mundo, resolvi ficar colado diante da televisão.

Por fim, por falar em resolver, temos as Resoluções de Ano Novo, mais do que merecedoras de letras maiúsculas.

Um camarada aqui jurando beber menos. Outro ali prometendo emagrecer. A madame garantindo que só mais um adulteriozinho depois ela pára com essas coisas.

Ah, sim. Não esquecer do engraçadinho que resolveu nunca mais fazer uma resolução de ano novo.

E Barack Obama. O homem do ano, a pessoa do ano, a personalidade do ano, segundo as mais variadas encarnações mediáticas. Todo mundo esperando para ver como vai ser depois da posse, dia 20 de janeiro.

Israelenses e palestinos, afegãos e iraquianos, todos unidos com fazendo uma só pergunta mental: ele cumprirá ou não a resolução de ano novo de parar de fumar?

 
 
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