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Atualizado às: 24 de dezembro, 2008 - 08h01 GMT (06h01 Brasília)
 
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No último bimbalhar do sino
 

 
 
Ivan Lessa (ilustração de Baptistão)
Corre, rapaz, que ainda há tempo. Você bebeu demais na festinha do escritório. Enfurnou-se em algum motel com aquela mocinha do departamento de recursos humanos e, caneados, mais umas bolinhas, ou equivalentes, na cuca, não viu o tempo passar.

Não deu sequer uma passada no armarinho ou armazém para pegar um quebra-galho que enganasse a patroa e os bacuraus lá em casa. Tsk, tsk, tsk. Coisa feia, seu.

Nem tudo está perdido. Papai Noel, como o sol, nasceu para todos. Só que o sol não anda puxado por carrinho de renas nem desce chaminé abaixo. O sol apenas dói que não é brincadeira nos seus olhos “de ressaca”, como os de Capitu, do Machadinho, só que em outro sentido.

Pena você não estar em Londres. Aqui resolveria mole o problema extra-familiar, por assim dizer. Há presentes para a última hora que até na quarta-feira, dia 24 de dezembro, dão para mais que quebrar o galho. Tudo meio sobre o cafona.

Também, o que é que você esperava? Por falar nisso, a mocinha dos recursos humanos, quero crer, já levou, no mais amplo sentido, o dela. Portanto agora é só com você e os seus entes queridos. Aviso de antemão e antebraço: todos os presentes de última hora são de matar. Que remédio. Quem mandou tomar aqueles 8 últimos cálices (cálices? Copos mesmo. E de plástico) de vinho vagabundo lá na seção.

Segura aí.

* Panetone legítimo importado. Não vai causar sensação, mas - que se há de fazer, né mesmo? Melhor que um pão francês amanhecido.

* Uma gravata que toca duas musiquinhas de Natal. Aqui custa perto de US$ 8, acende luzinha e é 100% poliéster. Forrada com tecido reforçado, para vos (sim, “vos”) dar a sensação (falsa) de segurança. Cuidado. Cachorro odeia esse tipo de coisa. É mordida garantida.

* Que azar você, adúltero natalino, não estar em Londres, não é mesmo? Se fosse aqui era só pegar um táxi até a loja de departamentos John Lewis, ali em Oxford Street e, pela nada módica quantia de US$ 28, pegar e pedir para embrulhar para presente uma árvore de Natal de apenas 9cm de altura. Além do mais, alardeie fingindo entusiasmo, a pequena jóia contém um compartimento secreto onde poderão ser guardadas as valiosas jóias da família (pare de pensar bobagem), enganando assim os ladrões menos ladinos. Minta ainda dizendo que é aquele negócio japonês – como é que se chama mesmo? -- ah, sim, “bonzai”, coisa raríssima e que, além do mais, uma árvore de Natal a mais nunca é demais. Sim. Você tem que ter cara de pau. Aqui, infelizmente, não existe o Óleo Peroba.

* Ainda as árvores de Natal: na mesma John Lewis vendem umas de cabeça para baixo, ou ponta-cabeça, se você for paulista, e custa uma nota. Perto de US$ 90. Conforme anunciam, ela “economiza espaço e os enfeites ficam dependurados de forma mais estética”. Isso aí. De pendurar enfeite você manja, confere?

* E um “mug”. Nada mais popular por cá do que um “mug”. Você sabe, aquelas caneconas inglesas. Para chá, chocolate ou café com leite. Coisa barata. Uns US$ 7. Tem, no entanto, um charme extra: um gatinho estampado que faz “miau” quando você leva o “mug” aos lábios. Se fizer a besteira de tentar enganar a família e botar bebida alcóolica na caneca, o gato arranha. Juro.

* Por fim, e aqui encerrei minhas pesquisas, totalmente desinteressadas, uma vez que não participo de festinha de escritório nem conheço ninguém em qualquer departamento de recursos humanos, por fim dizia eu, e agora penduro as chuteiras natalinas deste ano, pela mais do que módica quantia de US$ 8 você pode fazer a patroa e a garotada primeiro se chocarem e depois rirem para valer comprando e aplicando falsas tatuagens. Garantidas para enganar qualquer perito. Enganação você manja e eu estou aqui para lembrá-lo. Embora, só de maldade, enumerei presentes-surpresa só encontráveis em Londres. À exceção do panetone legítimo.

Isso. Boa idéia. Vá de panetone que vai ser tiro e queda. No melhor dos sentidos possíveis.

 
 
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