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Atualizado às: 10 de dezembro, 2008 - 08h22 GMT (06h22 Brasília)
 
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Primeiro escândalo de Obama
 

 
 
Ivan Lessa (ilustração de Baptistão)
Confesso que estou chocado. Os escândalos proliferam como blogs. Abro um jornal brasileiro no monitor do PC e que vejo eu? O escândalo do presidente Lula da Silva ter usado, em discurso, a expressão “sifu”. Barbaridade! Essa pegou mal! Foi de ruborizar um frade de pedra.

Tanto que os próprios altos escalões presidenciais reconheceram e, na versão transmitida pelo rádio da peroração, por assim, dizer, o “sifu” – não há outra expressão – sifu. E tomo a liberdade de tirar as aspas, uma vez que, velho pasquineiro que sou, sei perfeitamente que sifu é uma contração de “se fubecou”.

Assim explicávamos para o general que nos censurava as várias contrações. “Paca” ou “praca” era contração de “pra caramba”. “Quiuspa” era mais complicado. Tentamos uma vez tratar-se de contração de “Raios que os parta!”. Colou.

Duas invenções que creio terem sido do Henfil, “Putz” e “Putzgrila” censor algum implicou. Como entender as curvas e folhas secas das almas dos censores. Houve uma época mais brava que até as *** não davam. Optamos, em mais de uma ocasião, isso ou aquilo outro, tratar-se de apócope. Não há militar, não há censor no mundo que queira passar recibo de desconhecer o significado de apócope. Embora, segundo consta, uma censora que “fazia” (era o verbo que eles usavam) a revista Cláudia sabia perfeitamente o que queria dizer “apócope”. Sabia, mas não aprovava. Nem deixava passar.

E deixemos esse escândalo dos censores para lá, que isso acabou, e voltemos aos mais atuais.

O presidente eleito Barack Obama, a mais de um mês da festa do arromba que será sua coroação, digo, posse, já colheu o primeiro escândalo na horta de sua bem sucedida existência. Passo adiante os fatos nus e crus, tal como os catei (mas não em blogs) “pela aí”. Olhaí, gente, tem tecnologia no meio.

O primeiro escândalo político de Obama já foi até batizado: “iPodgate”. É, essa mania de tacar o sufixo “gate” em tudo que não cheirar a água de colônia. No caso, o escândalo rapidamente abafado do “sifu”, tivesse pego pressão, ganharia o apodo de “Sifugate”. Um som de doer nos ouvidos. Ao ”iPodgate”.

O futuro estadista criou um tsunami online após a divulgação do boato (e até prova em contrário é só boato) de que ele usa um “music player”, ou “tocador de mídia”, como o chamam nossos irmãos lusos, da Microsoft. Quer dizer, Obama saiu da linha, desabou do informaticamente correto.

Todo mundo sabe que quente mesmo é o rival da Apple, o tão popular quanto ele iPod. Obama, entre suas inúmeras análises conjunturais e argutas observações feitas durante a campanha, só faltou jurar de pés juntos que ele “iPodava” para cunhar um verbo.

Pra que, sô?

Agora veio um blog (e quem mais viria?), o do “repórter”, chamemo-lo assim, Neil Santos, que fez a acachapante e achacapante também revelação que, no momento, abala, mais ou menos, nosso grande irmão do norte: Obama ouvia suas musiquinhas, sim senhor, só que num Zune, da Microsoft, e não no iPod.

Escândalo, escândalo! Meus sais!

Veio logo mais um blog, e blog tecnológico, o “Gizmodo”, onde reina impávido o blogueiro Matt Buchanan, que foi logo botando o dedo na ferida online ao ponderar:

“E se toda campanha tiver sido uma mentira? Será que o mundo é mesmo real, de verdade, pra valer? Socorro. Acudam-me.”

A equipe de Obama voou para dispersar os rumores. Pois para dispersar rumores servem as equipes de presidentes eleitos. Dispersar um “sifu” aural também é de sua competência. Não, não, juraram de pés juntos todos os componentes da obamiana equipe, tudo gente de gabarito formado nos mais diversos governos democratas e republicanos. “Não, não”, repetiram em coro: “o presidente eleito faz uso de um iPod”.

Um outro blog (ai, Senhor! Isso é despacho que fizeram pra cima de mim), o “Zune Thoughts”, capitaneado pelo Adam Krebs, que todos nós conhecemos e amamos, afirmou que, “até o presente momento, nós, da Zune, afirmamos que Obama é um dos nossos”.

Durante a campanha, correram entre as várias notícias importantíssimas, a de que Barack Obama tinha várias faixas do imortal (ou é “da” imortal?) Jay-Z em seu iPod e que só usava um laptop da Mac.

Até agora, a história toda é indagação após indagação. Todas envoltas nas brumas do alto mundo da política.

 
 
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