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Atualizado às: 02 de dezembro, 2008 - 16h17 GMT (14h17 Brasília)
 
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Legista descarta 'homicídio injustificado' em caso Jean Charles
 
A mãe e o irmão de Jean Charles de Menezes
A mãe e o irmão de Jean têm acompanhado audiências
O júri do inquérito sobre a morte do eletricista Jean Charles de Menezes não poderá dar um veredicto de homicídio injustificado, segundo anunciou nesta terça-feira o legista que preside o inquérito, Michael Wright.

Ele disse que após ter ouvido a apresentação de todas as provas, um veredicto nesses termos não teria sustentação.

O atual inquérito, o quinto a respeito da morte do brasileiro em Londres, não está averigüando se há ou não algum culpado de um crime, mas o que exatamente aconteceu no dia da morte, 22 de julho de 2005.

De acordo com a advogada Ana Amélia Contro, do escritório internacional de advocacia Noronha Advogados, o júri pode considerar que o homicídio foi sem justificativa; que ocorreu de forma justificada pelas circunstâncias – no caso, na legítima defesa do Estado em uma ação contra um suposto terrorista; ou pode emitir um veredicto inconclusivo, se não houver certeza de como e por que o brasileiro morreu.

Pelo que disse Michael Wright, o júri agora deve agora anunciar um dos dois últimos veredictos.

"Emoção"

Lembrando aos jurados de que a mãe de Jean Charles, Maria Otone de Menezes, havia estado na maioria das audiências, o legista disse: "Eu sei que o coração dos senhores estão com ela. Mas essas são reações emocionais, senhoras e senhores, e a sua missão é dar um veredicto baseado nas provas (…) Deixem qualquer emoção de lado".

O júri, composto por 11 pessoas, ouviu o depoimento de cem testemunhas desde que o inquérito começou, em setembro, em Londres.

O brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia de Londres em uma estação de metrô da capital britânica, ao ser confundido com um suspeito de tentativas de atentado ocorridas no dia anterior.

No ano passado, após um processo judicial a polícia recebeu uma multa de 175 mil libras por ter falhado em zelar pela segurança da população no incidente.

Na época, o tribunal concluiu que a chefe da polícia Cressida Dick, que liderou a operação que resultou na morte de Menezes, não tinha "responsabilidade pessoal" pelo ocorrido.

Michael Wright disse ao júri do atual julgamento que seu veredicto não poderia ir contra aquela decisão.

 
 
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