15 de novembro, 2008 - 16h30 GMT (14h30 Brasília)
Fabrícia Peixoto
Enviada especial da BBC Brasil a Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado, em Washington, que a solução para a crise financeira global está nas mãos dos países ricos.
Segundo Lula, “a melhor solução para evitar que a crise se alastre são os países ricos resolverem seus problemas”.
“Não adianta ficar procurando medidas paliativas, se não resolver primeiro os problemas da política econômica americana e européia”, disse Lula, pouco antes de entrar para a sessão plenária do G20.
Lula disse que a situação nos Estados Unidos é “delicadíssima”, mas que o presidente Bush “tem que assumir a responsabilidade de que ele é o presidente até o dia 20 de janeiro e não pode ter vacilações sobre o tratamento da crise”.
Lula participou na sexta-feira de um jantar na Casa Branca, oferecido aos chefes de Estado pelo presidente americano George W. Bush.
“Eu disse que não vamos abdicar de nossa finalidade, que é fazer o Brasil crescer”.
Dinheiro nos mercados
Um dos assuntos, de acordo com Lula, foi a liquidez do sistema financeiro mundial, especificamente sobre o dinheiro que está sendo colocado à disposição dos mercados.
“Uma coisa que eu disse aos países ricos é que eles tratem de fazer com que esse dinheiro chegue na ponta”.
O presidente brasileiro também falou aos outros líderes que, quando era metalúrgico, tinha que fazer “60 horas extras por mês” para comprar uma televisão.
“Não é justo que alguém fique bilionário sem produzir uma folha de papel. Por isso é preciso que tenha uma regulação séria do G20”.
Uma das propostas do governo brasileiro, segundo ele, é que as questões financeiras globais passem a ser tratadas permanentemente pelo G20 – e não mais pelo G8 (grupo de países ricos, mais a Rússia).
O presidente disse ainda que o Brasil tem um pontencial de crescimento interno que “os países desenvolvidos não têm”, e que a força da demanda interna pode ajudar o país a passar de forma mais confortável pela crise.