14 de novembro, 2008 - 10h39 GMT (08h39 Brasília)
A União Européia confirmou que a economia dos países da zona do euro retraiu 0,2% pelo segundo trimestre consecutivo, o que caracteriza recessão.
Os dados oficiais referentes aos meses de julho a setembro foram divulgados nesta sexta-feira, dia em que os líderes mundiais se reúnem em Washington para uma cúpula especial sobre a crise econômica mundial.
A Itália confirmou nesta sexta-feira que sua economia também entrou em recessão, com redução de 0,5% e 0,4% nos últimos dois trimestres.
Com isso duas das quatro maiores economias da zona do euro – Itália e Alemanha – estão em recessão. As outras duas, Espanha e França, tiveram apenas um trimestre de crescimento negativo.
França e Espanha
A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que a atividade econômica deve cair 0,5% na zona do euro em 2009.
A França divulgou nesta sexta-feira que sua economia cresceu 0,1% no último trimestre. Já a economia espanhola teve seu primeiro trimestre de crescimento negativo desde 1993, com contração de 0,2%.
Na quinta-feira, o governo alemão divulgou que a economia do país, a maior da zona do euro e uma das maiores do mundo, entrou em recessão. A economia diminuiu 0,5% no terceiro trimestre, depois de já ter caído 0,4% no segundo trimestre.
Na quarta-feira, o presidente do Bank of England, o banco central britânico, afirmou que a economia do país - que integra a União Européia, mas não faz parte da zona do euro - também já está provavelmente em recessão.
Encontro do G20
Nesta sexta-feira, os líderes do G20 – grupo composto por países mais ricos e emergentes – vão discutir soluções para a crise econômica mundial em Washington.
O G20 representa 85% da economia e dois terços da população mundial. Os países buscam ações coordenadas que possam conter a crise financeira, além de reformas que reduzam o risco de algo parecido se repetir.
Na véspera do encontro, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu corte de impostos em todo o mundo e aumento dos gastos governamentais para evitar que a economia global entre em recessão.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que a crise financeira não representa um fracasso do capitalismo e do livre mercado.
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse que seu país e a União Européia podem "falar com apenas uma voz" na cúpula do G20.
Os líderes mundiais vão jantar na Casa Branca nesta sexta-feira. No sábado, eles realizarão duas sessões plenárias, que serão seguidas por um pronunciamento de Bush. O encontro também terá a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e dos presidentes do Banco Mundial e do FMI.
Em carta aberta ao fórum, Ban Ki-Moon pediu que os países evitem uma recessão econômica mundial, que causaria uma "tragédia humana" entre os pobres.
O Japão anunciou que está preparado para emprestar até US$ 100 bilhões ao FMI para ajudar países emergentes atingidos pela crise.
O FMI já emprestou em caráter emergencial mais de US$ 30 bilhões para Islândia, Hungria e Ucrânia.