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Crescimento rápido pode reduzir satisfação com a vida, diz BID
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Moradores de países que registraram rápido crescimento econômico nos últimos anos estão menos satisfeitos com a vida do que
aqueles que vivem em nações que cresceram menos, revela um estudo sobre a América Latina divulgado nesta terça-feira pelo
BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
De acordo com o documento, os moradores da Costa Rica são os que têm maior satisfação com a vida em um ranking de 23 nações da região da América Latina e Caribe, com índice de 7,4 (em uma escala de 1 a 10). Em último lugar aparece o Haiti, com 3,8. O Brasil obteve índice de 6,2 e divide a 7ª posição com a Colômbia e a Jamaica. "A América Latina declarou um nível médio de satisfação com a vida de 5,8, mais do que a Europa e a Ásia Central, mas menos que os 7,5 registrados na América do Norte e 7,2 na Europa Ocidental", diz o BID. Segundo o documento, há um paradoxo, e quanto mais rápido um país cresce, mais rapidamente crescem as expectativas de consumo e status econômico e social de seus habitantes. Conforme o estudo, as mudanças aceleradas na economia, e não apenas o nível de renda ou de consumo, acabam afetando o nível de satisfação no curto prazo. “No geral, os latino-americanos estão satisfeitos com sua vida, mas é interessante notar que as pessoas de alguns dos países mais pobres são as mais otimistas, enquanto cidadãos de alguns dos países mais desenvolvidos são os mais pessimistas”, diz o presidente do BID, Luis Alberto Moreno. "Não é surpresa que as pessoas com renda mais alta sejam mais satisfeitas com a vida do que as de renda mais baixa, mas o crescimento econômico, na verdade, produz descontentamento em vez de uma felicidade maior, pelo menos no curto prazo", afirma. O documento revela que a satisfação em países com altas taxas de crescimento nos últimos anos, como Trinidad e Tobago, Chile, Peru e Equador, é menor do que em países cujas economias apresentaram pouco crescimento, como Guiana, El Salvador, Paraguai e Guatemala. De acordo com o BID, "países da região com alta renda per capita, como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, apresentaram níveis moderados de satisfação com a vida, ficando atrás de países com renda per capita mais baixa, como Guatemala, Colômbia e Jamaica". O BID afirma que, "individualmente, os cidadãos pobres de todos os países declararam níveis mais altos de satisfação com educação, moradia, emprego e saúde, o que é uma indicação de que eles podem ter aspirações mais baixas do que os ricos".
Governos "Governos que centram suas políticas exclusivamente no crescimento tendem a perder apoio no longo prazo se não responderem às expectativas mais elevadas que acompanham o crescimento, em áreas que vão de educação e saúde à distribuição de renda", diz o economista-chefe do BID e coordenador do estudo, Eduardo Lora. Segundo Lora, "a dificuldade está em responder a essas demandas sem sufocar o crescimento". O BID afirma que apesar de alguns dos fatores que afetam a satisfação das pessoas oferecerem pouco espaço de ação de políticas públicas, como relações familiares, amizades e crenças religiosas, outros podem ser alvo de políticas governamentais. “Este relatório pode ser um excelente recurso para os governos da região que agora enfrentam decisões difíceis de cortes de gastos, porque a crise financeira está reduzindo o crescimento econômico e prejudicando a arrecadação tributária”, diz Moreno. O estudo é parte da série Desenvolvimento nas Américas, que neste ano é intitulada Além dos fatos: compreendendo a qualidade de vida e revela níveis "relativamente altos" de satisfação na América Latina e Caribe em comparação com outras regiões. Os resultados foram calculados com base em dados da Pesquisa Mundial 2007 do Instituto Gallup, em que foram entrevistadas mais de 40 mil pessoas com mais de 15 anos na América Latina e no Caribe, entre novembro de 2005 e dezembro de 2007. A margem de erro dessa pesquisa é de 3,1% a 5,1% e varia de acordo com cada país. O estudo também utilizou informações complementares encomendadas pelo BID. Os entrevistados responderam a perguntas sobre aspectos como qualidade da educação, atendimento de saúde, moradia e emprego. |
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