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Atualizado às: 30 de outubro, 2008 - 07h50 GMT (05h50 Brasília)
 
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Colômbia gastou US$ 5 mi com recompensas a informantes
 

 
 
Álvaro Uribe, presidente colombiano
Uribe pretende desmantelar as Farc com informações obtidas
O governo da Colômbia gastou no último ano pelo menos US$ 5 milhões no pagamento de recompensas a ex-guerrilheiros ou informantes com o objetivo de capturar altos membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Ministério da Defesa da Colômbia afirmou à BBC Brasil que o total gasto – o equivalente a 11,8 bilhões de pesos – foi usado no pagamento a informantes que revelaram a localização de pelo menos cinco membros do Secretariado das Farc no último ano.

Deste grupo, apenas um guerrilheiro foi preso, os demais foram mortos.

A controversa política de pagamento de recompensas não é algo novo na Colômbia e ficou em evidência no último final de semana, quando o guerrilheiro "Isaza" escapou de um acampamento das Farc com o ex-congressista Óscar Tulio Lizcano, seqüestrado havia oito anos, e se entregou às autoridades colombianas.

Em troca, o governo prometeu ao ex-guerrilheiro uma recompensa de cerca de US$ 420 mil e a possibilidade de asilo na França.

"Procura-se"

Desde que assumiu a Presidência, em 2002, Álvaro Uribe tem utilizado a promoção do "procura-se", antes exclusiva para a captura de chefes dos cartéis de drogas, para o combate aos grupos armados.

A estratégia do governo, de acordo com analistas ouvidos pela BBC Brasil, é fazer com que chefes intermediários da guerrilha desertem. A tática é usada em especial com as Farc, o maior grupo rebelde do país, com o objetivo de debilitar a cúpula da organização.

A recompensa mais valiosa dos últimos meses, de US$ 2 milhões, foi para os informantes que forneceram a localização do acampamento de Raúl Reyes, morto em março durante uma incursão do exército colombiano no Equador.

Além de Reyes, o governo pagou por informações que levaram o Exército a se infiltrar no acampamento de dois importantes líderes das Farc: Tomas Medina, conhecido como "Negro Acácio", e Gustavo Rueda Díaz ou "Martín Caballero", mortos em combate.

No início do ano, Hely Mejía Mendoza ou "Martín Sombra", membro do Estado-Maior da guerrilha, foi capturado depois de ter sido delatado às autoridades.

Para dar sustentação a essa política de espionagem e pagamento de recompensas, o governo criou um fundo especial que é administrado pelo Ministério da Defesa.

O organismo não quis revelar a quantia destinada do orçamento para este fim mas, de acordo com estimativas da Fundação Segurança e Democracia, o total estimado para este ano é de US$ 100 milhões.

'Mercantilização da guerra'

Para Camilo González, diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Paz (Indepaz), esse método fortalece a "mercantilização da guerra" na Colômbia e não consolida um processo viável de solução para o conflito armado.

"A guerra se mercantilizou no governo Uribe. Há uma perversão do cenário da guerra e uma promoção de mercenários que lucram com a rede de informantes civis", afirmou González.

Para o diretor do Indepaz, as recompensas se tornariam algo secundário no debate público se houvesse um programa que objetivasse uma saída política para o conflito, que dura mais de meio século.

"O problema é que essa política não existe, então a única mensagem que chega à sociedade é guerra e dinheiro. Isso bloqueia qualquer saída política para o conflito", afirmou González.

Em 2006, para tornar mais efetiva a colaboração de civis na rede de informantes, o governo chegou a lançar um baralho com as fotos de 52 dirigentes das Farc. O valor da recompensa, impresso nas cartas, variava dependendo do cargo e da importância do guerrilheiro na estrutura da organização.

"Negação do conflito"

Na opinião do analista político Maurício Romero, o governo "abusa da mercantilização" porque considera que as guerrilhas são organizações criminosas, "negando a existência do conflito armado".

"A lógica do governo é que, oferecendo dinheiro e atraindo guerrilheiros à deserção, se solucionará o problema do conflito, mas essa é uma política de curto prazo que não ataca realmente os problemas centrais da guerra", afirmou Romero.

"Os gastos com a guerra privam o país de uma política de desenvolvimento que cuide de problemas reais como o desemprego, a industrialização e infra-estrutura", acrescentou.

Cerca de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia, algo perto de US$ 12 bilhões, é destinado para o sistema de segurança pública.

Na opinião de Alfredo Rangel, diretor da Fundação Segurança e Democracia, a estratégia militar do governo e a política de recompensas e desmoblização é bem sucedida.

"Está funcionando. A pressão militar nas frentes da guerrilha tem levado à desmoralização dos guerrilheiros, que estão sendo submetidos a uma situação grave de desabastecimento e acabam sendo atraídos pelos benefícios do governo", afirmou Rangel.

Um dos piores golpes sofridos pela guerrilha neste ano foi a morte de Ivan Ríos, membro do Secretariado das Farc, assassinado por seu guarda-costas em março.

Atraído pela recompensa, Pedro Pablo Montoya, conhecido como "Rojas", se entregou às autoridades colombianas levando a mão direita do líder guerrilheiro, como prova de sua morte.

Chamando outros guerrilheiros à desmobilização, o governo anunciou o pagamento de US$ 1 milhão à Rojas e a outras três pessoas argumentando ter recebido "informações estratégicas" relacionadas à guerrilha.

O acordo, porém, não foi cumprido de acordo com "Rojas". Há dois dias, o ex-guerrilheiro, que está preso, escreveu uma carta acusando o governo de não ter pago a recompensa prometida.

Segundo dados do Ministério da Defesa, de 2002 até agora, 12,7 mil guerrilheiros, a maioria das Farc, abandonaram a luta armada aderindo ao programa governamental de desmobilização.

 
 
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