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Sorteio de implante de seios vira febre em discotecas na Argentina
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A nova tendência de sortear cirurgias plásticas para os seios em discotecas vem causando alvoroço na Argentina.
A prática de sortear um implante de seios para as clientes vem ocorrendo em discotecas das províncias de San Juan, La Rioja, Córdoba e Buenos Aires. Junto com a entrada – cujo valor oscila entre US$4 e US$10 – as clientes recebem um número para participar do sorteio, caso estejam interessadas. Os proprietários de alguns dos estabelecimentos afirmam que os sorteios são populares entre as mulheres e defendem a estratégia de marketing usada para atrair clientes. Já profissionais da saúde das regiões argentinas criticaram a iniciativa por prejudicar a relação entre o médico e o paciente e "banalizar" as cirurgias plásticas. Publicidade Na discoteca Sunset – localizada em Olivos, ao norte da capital argentina – o concurso para concorrer à cirurgia chama-se "Quiero mis lolas" (Quero os meus seios, em tradução livre) e já atraiu diversas interessadas. Fernando Maldonado, promotor do local, disse à BBC que a proposta foi muito bem recebida pelas clientes. Segundo ele, caso a ganhadora tenha entre 18 e 21 anos, "a autorização dos pais é exigida". Além disso, qualquer vencedora terá que passar por uma análise pré-cirúrgica e outra psicológica, explica. Maldonado afirma que a vencedora será operada em uma clínica na zona norte de Buenos Aires, mas não deu detalhes sobre o nome do local ou do médico que realizaria a cirurgia. "Respeitamos as críticas, mas não vejo nada de mal", disse Maldonado. "Trata-se de uma jogada publicitária, mas dará a uma mulher a possibilidade de realizar o sonho de embelezar-se e sentir-se melhor." Ele explica que parte do sucesso dos concursos se deve ao sucesso da novela colombiana Sin tetas no hay paraíso (Sem tetas não há paraíso, em tradução livre), na qual a protagonista Catalina é obcecada por fazer um implante nos seios. Marketing x ética Entidades médicas condenaram a estratégia usada pelas discotecas. Francisco Famá, cirurgião e porta-voz da Sociedade Argentina de Cirurgia Plástica, foi firme ao afirmar que a entidade não acha a prática correta. "Não se pode sortear intervenções cirúrgicas como se fossem eletrodomésticos", disse. "Consideramos que, do ponto de vista ético, oferecer uma cirurgia como prêmio não é correto porque o paciente não tem a possibilidade de estabelecer uma relação certa com o médico e porque sabemos que quem é médico não irá participar dessa promoção", afirmou Famá.
No entanto, o cirurgião Diego Schavelzon tem uma opinião diferente sobre a iniciativa. Para ele, a questão "não tem nada haver com ética". "Esse tipo de sorteio é bom desde que a participação seja voluntária e se respeite a vontade das participantes", disse. "Além disso, esse tipo de concurso é realizado no mundo todo, não é uma invenção argentina. Os sorteios acontecem em vários torneios de golfe, onde gente com mais dinheiro compete por cirurgias nas pálpebras e liftings", concluiu. Obsessão Os implantes de silicone são os mais comuns entre as mulheres argentinas. Basta ir à praia e um olhar mais atento poderá identificar a grande quantidade de mulheres que desfilam com seios artificiais. Os implantes são mais populares entre as mais jovens. De acordo com o cirurgião Famá, a idade média das mulheres que colocam silicone é de 25 anos. O relativo baixo custo da cirurgia na Argentina – entre US$ 1 mil e US$ 2 mil dólares – atrai mulheres que vêm ao país para realizar os implantes. "A Argentina é um dos países onde se realizam mais implantes de seios em todo o mundo. É uma questão cultural, uma moda alimentada pela publicidade e pelos programas de televisão nos quais as mulheres aparecem com pouca roupa", afirmou Famá. "Parece que o sucesso depende do tamanho dos seios e que eles se converteram em uma necessidade da vida moderna. Na Europa isso não acontece. Na França, você vê as mulheres com seios pequenos e sem problemas", disse. |
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