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28 de agosto, 2008 - 07h57 GMT (04h57 Brasília)

Brasil e Argentina têm reação oposta à crise dos alimentos, diz NY Times

Uma reportagem publicada na edição desta quinta-feira do jornal americano The New York Times afirma que Brasil e Argentina estão reagindo de formas opostas à crise da alta dos alimentos.

Enquanto o Brasil está incentivando seus produtores rurais a aumentarem as colheitas, aproveitando a alta do preço no mercado internacional, a Argentina elevou tarifas de exportação para garantir o abastecimento doméstico.

"Preços crescentes de alimentos significam que muitos fazendeiros pelo mundo estão colhendo lucros recordes", diz a reportagem assinada pelo correspondente do jornal em São Paulo Andrew Downie.

"Na corrida para tirar proveito do difícil mercado global de alimentos, o Brasil tem uma série de vantagens sobre o seu vizinho do sul."

Entre as vantagens, o jornal destaca que o Brasil tem mais que o dobro de terras cultiváveis do que a Argentina, uma pauta de exportação mais diversificada e lidera em mais itens de exportação.

"O governo de Brasília quer continuar assim", afirma a reportagem, citando o crédito de US$ 49 bilhões para fazendeiros – um aumento de 12% em relação ao ano passado.

Na Argentina, o governo Kirchner tentou aumentar impostos sobre exportações de grãos e soja.

"A decisão tinha como intenção forçar os fazendeiros argentinos a venderem sua produção em casa, criando assim um excesso de oferta doméstica que manteria preços baixos e a inflação sob controle."

O jornal afirma que a decisão argentina gerou protestos em vez de vantagens no país, com fazendeiros conduzindo demonstrações e bloqueios em estradas. Por fim, a medida acabou derrubada no Senado em julho.

A reportagem conclui que mesmo com as reações diferentes de Brasil e Argentina à crise, "analistas acreditam que ambos países vão eventualmente se beneficiar do aumento dos preços globais dos alimentos".