15 de agosto, 2008 - 02h06 GMT (23h06 Brasília)
Diego Toledo
Enviado especial da BBC Brasil a Pequim
O brasileiro César Cielo não só acabou com o jejum de medalhas olímpicas da natação brasileira na final dos 100m livre, em Pequim, como também conseguiu chegar entre os primeiros em uma prova que disputou cercado de recordistas mundiais.
O bronze de Cielo foi a primeira medalha olímpica do Brasil na natação desde Sydney-2000 e a primeira em uma prova individual da modalidade desde Atlanta-1996.
"É legal estar colocando de novo o nome do Brasil em Jogos Olímpicos nessas provas de velocidade", afirmou o brasileiro.
Para chegar ao pódio, Cielo superou o veterano nadador holandês Pieter van den Hoogenband, vencedor da medalha de ouro na prova em Sydney e em Atenas-2004 e recordista mundial dos 100m livre por quase oito anos (de setembro de 2000 a março de 2008).
Aos 30 anos, o nadador que chegou a ser apelidado de "O Holandês Voador" ficou oito centésimos atrás do brasileiro.
O vencedor da prova, o francês Alain Bernard, foi quem quebrou o recorde de Van den Hoogenband em março. O australiano Eamon Sullivan, prata em Pequim, é o atual recordista mundial dos 100m livre - graças ao tempo de 47s05 que marcou na semifinal da prova na Olimpíada.
Lado positivo
A disputa dos 100m livre em Pequim terminou com um pouco comum empate na terceira colocação. Cielo e o americano Jason Lezak marcaram o mesmíssimo tempo (47s67), e a prova acabou com dois vencedores da medalha de bronze.
Lezak foi o principal responsável pela conquista do ouro pela equipe dos Estados Unidos no revezamento 4x100m livre em Pequim, quando nadou o último trecho de 100m da prova em 46s06.
O tempo foi a parcial mais rápida da história na prova do 4x100, mas não ficou registrada como recorde mundial porque Lezak não largou do bloco de partida - por isso, apenas o primeiro nadador do revezamento pode estabelecer um recorde para os 100 metros.
Cielo tinha se classificado para a decisão de medalhas dos 100m livre com o oitavo tempo, o pior entre os finalistas, mas deu sinais de que não se sentiu intimidado no meio de nadadores tão velozes.
"Nadei na raia oito e puxei isso pelo lado positivo", diz o brasileiro. "Não me preocupei com os outros em volta, só comigo. Procurei fazer meu melhor e forcei tudo."