22 de julho, 2008 - 09h51 GMT (06h51 Brasília)
Um editorial do jornal britânico The Independent afirma nesta segunda-feira que um fracasso na nova rodada de negociações para liberalização do comércio global não representa necessariamente uma "catástrofe".
Entretanto, o jornal diz que há fortes razões para dedicar atenção à nova bateria de encontros que acontece desde a segunda-feira na sede da OMC (Organização Mundial de Comércio), em Genebra.
"Claramente, um acordo em Genebra é do interesse de todos. Mas se não puder ser alcançado, não há razão para que a motivação para a redução de tarifas e a remoção de barreiras alfandegárias fique parada nos trilhos", argumenta o editorial.
"Ainda há muito que pode ser feito bilateralmente, como já mostraram os Estados Unidos e a União Européia em negociações regionais. Basta vontade política e a velha virtude de convencer o público a acompanhar (o líder)."
Ainda assim, o Independent alerta que o livre comércio é demasiado importante para ser deixado nas mãos dos grandes países, em detrimento dos demais.
Além disso, desta vez as negociações enfrentam um obstáculo real: se fracassarem, as chances de retomá-las uma vez iniciado o processo eleitoral americano são virtualmente nulas, diz o jornal.
Para o editorial, "o processo de derrubar barreiras tarifárias foi o que ajudou a promover o crescimento pelo período mais longo de expansão sustentada visto no mundo moderno nas últimas décadas".
"Pare este processo e o medo é de que a economia mundial dê marcha-ré, à medida que os países voltarem a erguer suas barreiras."
Outros jornais
As negociações em Genebra foram destaque também em outros jornais estrangeiros.
Ainda na Grã-Bretanha, o Daily Telegraph afirma que o Brasil "esnobou" a oferta européia de diminuir as tarifas nas importações agrícolas - que teria sido descrita como "propaganda" pelos delegados brasileiros.
Na Argentina, o jornal La Nacion destacou que o início do diálogo na OMC foi "frustrante", e que "para a Argentina, Brasil e Índia, não houve avanço nas negociações pelos subsídios agrícolas".
Mas o jornal cita o principal negociador argentino, Alfredo Chiaradía, para quem a falta de avanços no primeiro dia "é normal".