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Atualizado às: 02 de julho, 2008 - 09h27 GMT (06h27 Brasília)
 
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Falta de mão-de-obra ameaça crescimento do Brasil, diz 'NYT'
 
Nuvem carregada cobre São Paulo, centro econômico do Brasil (arquivo)
Para jornal, prognósticos são 'problemáticos' no horizonte
Uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal americano The New York Times afirma que a falta de mão-de-obra qualificada "ameaça" as metas de crescimento econômico do Brasil.

Sob o título "Procuram-se trabalhadores qualificados para uma economia em crescimento no Brasil", o texto diz ainda que isto poderia afetar "a ascensão política e econômica" do país no cenário internacional.

"Após anos de expansão e contração, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está projetando um período de crescimento sustentado, com o PIB (Produto Interno Bruto) crescendo 5% ao ano de agora até 2010, e cerca de 3% a 4% ao ano na década seguinte", lembra o jornal.

"Mas muitas empresas e economistas, incluindo alguns do governo, dizem que a escassez de mão-de-obra altamente qualificada, particularmente engenheiros e técnicos profissionais, ameaçará estas metas, assim como a ascensão política e econômica do Brasil."

A reportagem afirma que a falta de mão-de-obra se espalha "por diversos setores da indústria".

"A falta de engenheiros civis e de construção ameaça projetos de infra-estrutura; áreas como bancos, fabricação de aviões, petroquímica e metalurgia estão todas competindo pelos melhores graduados; na indústria de petróleo e gás, que experimenta um boom, as empresas estão recorrendo a mão-de-obra estrangeira porque não há brasileiros qualificados suficientes para o trabalho."

O artigo cita um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo o qual mais da metade de 1.715 empresas pesquisadas em setembro não conseguia contratar os trabalhadores qualificados de que necessitava.

As soluções de curto prazo têm sido dadas pelas próprias empresas – gigantes como Vale, Petrobras, Ultrapar e Embraer mantêm programas internos de treinamento, diz o NYT. Mas no longo prazo "o prognóstico é mais problemático".

"O sistema educacional do Brasil está em desarranjo. Nos testes de desempenho acadêmico realizados a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com jovens de 15 anos de 57 países, os estudantes brasileiros ficaram na quarta pior colocação em ciências e na terceira pior em matemática", afirma a reportagem.

Enquanto as grandes corporações têm recursos para contratar ou treinar os melhores profissionais, empresas médias "não têm a mesma sorte".

 
 
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