18 de junho, 2008 - 19h54 GMT (16h54 Brasília)
Um tribunal de Pretória, na África do Sul, decidiu nesta quarta-feira que os chineses que vivem no país passarão a ser considerados cidadãos negros.
A mudança era uma reivindicação dos próprios chineses, que agora poderão se beneficiar das políticas governamentais que procuram acabar com o domínio dos brancos no setor privado da economia.
A Associação Chinesa da África do Sul decidiu apresentar o pedido ao tribunal, dizendo que os membros da comunidade sofriam discriminação – tendo dificuldade em se qualificar para contratos comerciais e promoções de trabalho porque eram considerados brancos.
Cerca de 200 mil pessoas de origem chinesa vivem na África do Sul.
Apartheid
Segundo o correspondente da BBC em Johanesburgo, Mpho Lakaje, uma série de leis em vigor no país procura reverter o legado de pobreza da era do Apartheid (1948-1991) sobre a população negra.
As leis dão aos negros, às pessoas de origem indiana e mestiços benefícios econômicos e vantagens na busca de empregos.
Lakaje disse que a decisão da Suprema Corte esclarece às empresas quais são os direitos dos chineses, que eram considerados mestiços durante o Apartheid – e também sofriam preconceito na época por causa disso.
A decisão judicial encerra uma batalha de oito anos da comunidade chinesa sul-africana para ter as mesmas vantagens dos negros.