16 de junho, 2008 - 11h06 GMT (08h06 Brasília)
Charles Haviland
Da BBC News, em Katmandu
Quatro dias depois de o rei Gyanendra deixar o Palácio Real de Katmandu, o governo interino nepalês realizou a primeira cerimônia pública no local e declarou que o antigo palácio será transformado em um museu.
O rei deixou o palácio na última quarta-feira, 15 dias depois de ser proclamada a República e abolida a monarquia no país.
As autoridades não perderam tempo em começar a mudança do palácio e instalaram uma placa na entrada no prédio confirmando o novo status do local como Museu Palácio Narayanhiti.
Membros do Partido Maoísta estavam presentes na cerimônia e entraram pela primeira vez no palácio.
Atrações
O primeiro-ministro Girija Prasad Koirala hasteou a bandeira nacional e afirmou que o prédio, assim como a bandeira, pertencia ao povo nepalês.
No entanto, as autoridades nepalesas afirmaram que levará meses até que o museu esteja pronto para visitação.
O governo afirmou ainda que entre as principais atrações do museu estará uma Mercedes Benz de 1939, dada por Adolf Hitler ao rei Tribhuvan, avô do rei deposto.
O transporte do carro até Katmandu foi complicado na época, já que não havia estradas no país. Atualmente, o veículo encontra-se enferrujado e abandonado.
Além do carro, outras atrações que devem estar presentes no museu são a coroa e o cetro do rei Gyanendra, que foram entregues ao governo na última quarta-feira, além de seu trono.
Vários analistas políticos afirmaram que a saída do rei foi “honrosa”.
Depois de deixar o palácio, o governo permitiu que ele se mudasse para a antiga residência de verão da realeza, mas sua madrasta e avó permaneceram nos bangalôs localizados dentro das dependências do palácio.
Disputa
A cerimônia no museu representou uma breve pausa na disputa entre os principais partidos políticos do país sobre quem irá ocupar os cargos mais importantes do governo.
O premiê Koirala, de 84 anos, não deixou o cargo apesar de ter afirmado que iria se aposentar da política depois das eleições legislativas de abril.
O líder dos maoístas, partido vitorioso nas eleições, teria dito que “qualquer pessoa que fosse contra o mandato do povo iria pagar um preço caro”.
Na Assembléia Constituinte, responsável pela redação da nova Constituição, os partidos menores reclamam de estarem sendo ignorados e insultados por membros dos partidos mais influentes do país.