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Atualizado às: 30 de junho, 2008 - 08h08 GMT (05h08 Brasília)
 
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Viva a Copa Viva!
 

 
 
Ivan Lessa
Foi uma chatice essa Eurocopa que, felizmente, terminou no domingo. Chatos os perdedores, chatos os vencedores, chatos os torcedores.

Nem tudo, no entanto, está perdido. Para apreciadores esotéricos do balipodal esporte, temos aí a Copa Viva 2008, que terá início logo agorinha no próximo no dia 7 de julho, com a butinada inicial marcada para as 11 horas da manhã em Sapmi, que fica, mais ou menos, na Lapônia.

O jogo que dará início aos complicados trabalhos é precisamente entre as seleções da (ou será do?) Sapmi contra a do Curdistão Iraquiano.

Não minto. Aviso logo que não sei se será televisionado, transmitido por rádio, visto ao vivo por gente ou até mesmo coberto pela imprensa. Torcerei espiritualmente, como sempre, dentro de meu melhor espírito olímpico, observando ainda minha praxe de, entre Davi e Golias, torcer sempre por nem um nem outro, mas sim por um ou outro camaradinha que nada tem a ver com o peixe e apenas deu uma paradinha no lugar da contenda para ver de que é que se tratava.

A Copa Viva. Trata-se de um gesto inútil de protesto contra a prepotência da Fifa. Representados apenas “países” (com legítimas aspas) que aspiram à condição de se tornarem nações. Ou ainda nações sem Estado. Países – laços e aspas fora! – que não receberam o aval de reconhecimento da Fifa. Sejamos sinceros. Países os quais nem mesmo o resto do mundo ouviu falar.

A Copa Viva 2008 deste ano não é a primeira. A primeira teve lugar há dois anos quando, devido a bate-boca político e dificuldades logísticas, o país – eu disse país – anfitrião teve de passar, à última hora, do Norte de Chipre para a Occitânia.

A Copa Viva 2006 passou por problemas de visto, o que, em si, já bastaria para transformar todos seus participantes à condição a qual aspiram: nações, Estados ou países independentes.

Foram apenas quatro sonhadoras seleções que participaram do primeiro torneio-segredo. Desta vez, a coisa cresce e a Fifa que vá anotando. São 5 os participantes. Além da Occitânia, lá estarão, claro, a rapaziada da “Syriac” e do Curdistão Iraquiano (googlando só encontrei a língua e não o país, mas parece que tem a ver com o aramaico e uma região da Mesopotâmia), mais a da Padania (fica no norte da Itália) e da nossa muito conhecida mais do que decantada Provença.

Não cessam aí as firulas.

Duas seleções femininas disputarão a Copa Viva. As do Sapmi e do Curdistão. Só. Duas. Seleções. Mulheres. Disputando Copa. Tadinhas.

As Copas Vivas – pois muitas virão – foram designadas pela Junta de Novas Federações, estabelecida com o único fito de se bater pelo pleno e mais do que justo, em sua opinião, direito de serem reconhecidas como Estados soberanos.

Há outros “países” (voltam as degradantes aspas) que fazem parte da organização, embora, por questões estratégicas e logísticas, não estejam participando da festiva competição.

São eles: Mônaco, Tibete, Zanzibar, Somalilândia, Moluccas do Sul (as do norte estão noutra), Rijeka (a terceira maior cidade da Croácia que, nos anos 20, foi estado livro por brevíssimo tempo), as Ilhas Chagos e a Nação Romani, que eu e você, beirando a incorreção política, costumamos chamar de “ciganos”.

Interessante é o caso das Ilhas Chagos. Trata-se, na verdade do arquipélago de Chagos, dependente da Grã-Bretanha, com toda sua população de perto de duas mil pessoas exiladas e que, se você bater uma bola aqui mesmo no site em inglês da BBC, verá contada toda a saga sob o título de “Uma história sórdida”.

Os habitantes de Chagos, juntamente com todos aqueles de Diego Garcia, a maior ilha do arquipélago, foram discretamente expulsos de suas terras para Seichelles e Maurício e de nativos só lá ficaram as suas famosas tartarugas gigantes. Motivo: bandidagem americana, para variar.

A Grã-Bretanha, mais uma vez, não se fez de rogada: se ofereceu. Botou todo mundo pra fora. E rolou o tapete vermelho para os americanos se instalarem. Na ocasião, década de 60 para 70, os americanos queriam lá instalar uma base para bombardear quem fosse necessário bombardear – na região ou mais além, onde desse. De lá partiram, para dar uma chegadinha à história atual, os primeiros ataques contra o Iraque e o Afeganistão.

Bacaninha, né? Futebol e política. Cada um dos irreconhecidos da Copa Viva tem suas histórias para contar. Todas tendo a ver com política. Como tudo tem a ver com política.

Se São Paulo voltar a encucar e cismar de se tornar nação soberana, aí está a Copa Viva na boca da espera. A seleção da bandeira listrada e tetra-estrelada, só ganhará de lavagem. Feito em 2006, quando no final da Copa Viva, Sapmi ganhou de 21 a 1 de Mônaco, sagrando-se assim a primeira campeã do abusado, e desconhecido, torneio.

Avante, São Paulo! Todos lá e caiam fora desse tal de Brasil que vos cerca!

 
 
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