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Atualizado às: 11 de junho, 2008 - 15h53 GMT (12h53 Brasília)
 
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Para ONGs, governo exagera preocupação com estrangeiros na Amazônia
 

 
 
Novo Progresso, PA (Greenpeace)
Para ambientalistas, origem do proprietário não é o maior problema
A polêmica em torno da compra de terras por estrangeiros na Amazônia e a preocupação quanto a ingerências internacionais na região são riscos marginais que estão sendo extrapolados pelo governo, na opinião de organizações não-governamentais ouvidas pela BBC Brasil.

Para Paulo Adário, do Greenpeace, a importância dessas questões está novamente sendo exagerada para atender a interesses "oportunistas" dentro e fora do governo ligados à exploração econômica da Amazônia.

"Todo mundo que quer impedir demarcação de terras indígenas ou de reservas para preservação, todos que têm interesses que passam pela exploração da Amazônia vão usar a carta da internacionalização", afirma Adário, coordenador da ONG de origem canadense para a Amazônia.

"Tem setores do Brasil que sempre tiveram preocupação e usaram essa discussão para o seu próprio interesse. Setores do governo estão usando isso também."

Para Adário, o debate está "tingido por uma cor ideológica", mas o que realmente existe é "uma grande paranóia", alimentada pelo que chama de setores conservadores "para esconder interesses escusos".

"A segurança nacional está sendo ameaçada por interesses externos ou por que nós, brasileiros, estamos destruindo o nosso patrimônio, que é a maior reserva de biodiversidade do planeta?"

Notícias ruins

O pesquisador do Imazon e co-autor de um estudo sobre a situação fundiária na Amazônia Paulo Barreto diz que o governo brasileiro está tentando mostrar ao mundo que tem controle da situação na Amazônia.

"Como as notícias não têm sido boas, o Brasil procura fortalecer a imagem de que está tomando conta. Isso aflora mais ainda com a discussão sobre o potencial impacto (indireto) dos biocombustíveis na Amazônia."

Barreto também diz acreditar que o foco do discurso está no lugar errado. "Estou mais preocupado com brasileiro ocupando terra brasileira de forma irregular."

"Quem está aqui no dia-a-dia sabe que a maior ameaça é a falta de Estado na Amazônia."

Segundo o pesquisador, para praticar atividades ilegais como biopirataria e extração clandestina de madeira, não é preciso ser dono da terra. "Capital sério estrangeiro (em grande escala) não vai investir nesse caos aqui. Brasileiro sério já tem dificuldade de comprar terra (regular) na Amazônia."

"Não acho que seja ruim ou bom se (a empresa proprietária) é nacional ou multinacional, se as duas forem destrutivas, as duas são ruins", concorda Paulo Adário. "Acho que tem muito de xenofobia aí."

'Palpites'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na semana passada, disse que "o mundo precisa saber que a Amazônia tem dono" e criticou o excesso de "palpites" sobre o que deve ser feito com a região.

As declarações do presidente foram feitas em meio à repercussão internacional negativa da queda da ministra Marina Silva e à publicação de uma série de artigos em veículos estrangeiros, como Financial Times, The Economist e The New York Times, questionando a capacidade do governo brasileiro de conter o desmatamento na Amazônia.

O governo vem dizendo, desde dezembro, que pretende aumentar a fiscalização da atuação de ONGs estrangeiras e nacionais na Amazônia. E que é o Brasil que deve definir o processo de proteção e desenvolvimento da região.

Também vem se acirrando a polêmica em torno da necessidade de maior rigor a aquisição de terras brasileiras por estrangeiros. Na semana passada, o Ibama multou em R$ 380 milhões a empresa Gethal, atribuída ao empresário sueco-britânico Johan Eliasch.

Para Paulo Barreto do Imazon, seria suficiente cumprir as leis que já existem, inclusive a que rege a venda de terras a estrangeiros, antes de criar uma nova.

'Interdependência'

Adário, do Greenpeace, diz que o Brasil, como detentor da maior parte da Amazônia, tem de tranquilizar o mundo de que está gerindo bem a floresta. "A importância da Amazônia para o meio ambiente é global", diz Adário. "Existe uma interdependência, como na questão nuclear."

Mas para o consultor na área de segurança internacional Heni Ozi Cukier, a postura de que o Brasil é guardião de um patrimônio global parte do pressuposto de que existe uma unanimidade em torno do aquecimento global.

"É falso dizer que essa bandeira (da defesa do meio ambiente) já foi concretizada e estabelecida", diz Cukier. "É partir do pressuposto de que eles pararam de explorar o próprio meio ambiente - o que não acontece nem aconteceu na Inglaterra, na China, nem nos Estados Unidos, que nem adotaram o Protocolo de Kyoto".

"Todos os países em desenvolvimento já agem de forma estratégica com os seus recursos naturais."

 
 
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