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Para produtor rural, diálogo com Marina Silva era "impossível"
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Produtores rurais ouvidos pela BBC Brasil disseram esperar que a demissão da ministra Marina Silva melhore o diálogo do setor
produtivo agrícola com a área de meio ambiente do governo.
"Espero que quem assumir estabeleça um diálogo. O Brasil não pode abrir mão da sua vocação para produzir alimentos", disse à BBC Brasil o deputado Homero Pereira (PR), presidente licenciado da Famato (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso). "Ela era muito radical, tinha tudo para fazer uma boa gestão, o setor sempre esteve pronto (para dialogar), mas o diálogo era impossível", disse Glauber Silveira, presidente da Aprosoja (Associação de Produtores de Soja do Mato Grosso), Os dois representantes reclamaram de medidas de Marina Silva contra o desmatamento no Mato Grosso. "O cadastramento foi ridículo, não conseguiram cadastrar ninguém", disse Silveira, referindo-se à exigência do recadastramento de todos os imóveis rurais situados nos municípios que registraram as maiores taxas de desmatamento em 2007. Expectativa Pereira falou da divergência entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o governo do Mato Grosso em torno dos dados sobre o desmatamento no Estado. "Nós procuramos nunca ir numa posição de confronto, salvo nos dados do Inpe sobre o Mato Grosso, os dados in loco não batem", disse Pereira. O representante da Famato também criticou a aplicação das ações de comando e controle sem a implementação de mecanismos para "valorizar a floresta em pé". Ele insiste que era possível conquistar o apoio dos produtores para o seu trabalho e que a ministra poderia ter transformado "produtores rurais em ambientalistas". As duas associações também esperam que o sucessor de Marina Silva imponha menos resistência do que ela a obras de infra-estrutura com impactos ambientais. A Famato também diz querer aproveitar a mudança no Ministério do Meio Ambiente para rediscutir o conceito de reserva legal em propriedades privadas. Pelos termos de uma Medida Provisória de 1996, e reeditada desde então, proprietários de terras na Amazônia têm a obrigação de manter 80% da floresta em pé. A regra foi considerada uma vitória dos ambientalistas à época, mas raramente é cumprida e enfrenta resistência principalmente entre os pioneiros da Amazônia. "O setor da soja nunca defendeu a ilegalidade", disse Silveira. "O produtor quer estar adequado, mas o que sempre foi importante para nós era o direito adquirido (de quem estava na região
antes da mudança da lei)." |
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