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Juiz questiona ação de familiares do vôo da Gol nos EUA
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O juiz Brian M. Cogan, da Corte Federal de Nova York, levantou nesta sexta-feira questões sobre a permanência nos Estados
Unidos do processo aberto por familiares das vítimas do acidente do vôo 1907 da Gol contra empresas americanas.
Em uma audiência de duas horas, o juiz ouviu os argumentos finais para decidir se a ação das famílias contra empresas americanas pode prosseguir nos Estados Unidos e fez diversas perguntas sobre o sistema judiciário brasileiro. Cogan perguntou aos advogados das famílias e das empresas sobre o código civil brasileiro e se os familiares das vítimas poderiam ser recompensados integralmente caso ganhassem um processo contra a Gol. O juiz também pediu que a empresa americana ExcelAire (proprietária do jato Legacy que se chocou contra o Boeing 737 da Gol) e os dois pilotos do jato, Joseph Lepore e Jan Paladino, escrevessem uma carta prometendo não contestar a jurisprudência da justiça brasileira e cooperar além do que é exigido pela lei brasileira - o que incluiria a gravação do testemunho dos pilotos em video. A decisão do juiz deve sair nas próximas semanas. Os advogados das famílias deverão apresentar mais documentos até terça-feira, e os advogados das empresas podem submeter respostas até sexta-feira. O vôo 1907 da Gol caiu sobre uma área de floresta no Estado de Mato Grosso em 29 de setembro de 2006, depois de colidir no ar com o Legacy da ExcelAire. O Boeing 737 ia de Manaus a Brasília. Todas as 154 pessoas a bordo morreram no acidente, que desencadeou uma crise no setor aéreo brasileiro. O Legacy, pilotado pelos americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, conseguiu pousar com apenas alguns danos na asa da aeronave. Interesse O processo nos Estados Unidos foi aberto por familiares das vítimas contra empresas americanas envolvidas no caso, entre elas a ExcelAire e a Honeywell - fabricante do transponder do jato, um rádio receptor-transmissor que envia e recebe sinais, incluindo o tipo de avião e sua altitude, para outros aviões e as torres de controle. No corredor do tribunal, os advogados das famílias lembraram que a questão de “foro não conveniente” ainda não foi julgada e que só saberão as verdadeiras intenções do juiz quando a decisão for publicada. “Nós argumentamos que provavelmente as famílias não seriam integralmente recompensadas no Brasil e que a essência deste caso está aqui nos EUA”, disse Lexi Hazam, que representa 56 famílias. “O fato (de o juiz) ter dedicado duas horas mostra que ele está interessado no caso”, disse Leonardo Amarante, que trabalha em parceria com Hazam. Hazam disse que os pilotos americanos continuam com suas licenças e podem pilotar nos EUA e em outros países e que o transponder da Honeywell continua sendo comercializado. “Só um juiz americano poderia impedir isso”, disse Hazam. “A questão é de interesse público americano, sim.” Os advogados da Honeywell, Don G. Rushing e Charles L. Kerr, argumentaram que o caso deveria ser julgado no Brasil porque o acidente ocorreu em território brasileiro, a investigação está sendo conduzida pelo governo brasileiro e a maioria das vítimas é brasileira. Eles disseram ainda que seria um ato “centrista americano” achar que o sistema judiciário dos EUA é melhor que o do Brasil. E que a justiça brasileira tem condições muito melhores para julgar o caso. |
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