28 de março, 2008 - 21h03 GMT (18h03 Brasília)
Bruno Garcez
Da BBC Brasil em Washington
A diretoria do FMI (Fundo Monetário Internacional) aprovou nesta sexta-feira uma nova fórmula que aumenta o poder de voto de países emergentes dentro da organização.
A proposta contou com o apoio de algumas das principais nações emergentes que integram o fundo, como Brasil, China, Índia, México e Coréia do Sul.
Pelo plano, que será ratificado durante a reunião de primavera do fundo, nos dias 12 e 13 de abril, em Washington, as grandes potências cederão 1,6 ponto percentual de seu poder de voto para nações emergentes.
Pelos termos atuais, as grandes potências contam com 59,5% do poder de voto dentro da instituição e passarão a ter 57,9%. As nações emergentes, que atualmente desfrutam de 40,5%, passarão a contar com 42,1%.
Cota brasileira
O Brasil é um dos emergentes cuja representação aumentará, ainda que a cifra tenha sido inferior à desejada por autoridades do país. A cota brasileira passará de 1,4% do voto para 1,7%.
O ministro Guido Mantega havia manifestado, no ano passado, que a participação brasileira deveria passar de 1,4% a 2%, para que o Brasil tivesse um peso político maior junto ao órgão.
O diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, reconheceu que a mudança é pequena, citando especificamente o caso brasileiro.
Mas acrescentou que novas revisões na participação dos países-membros deverão ser feitas a cada cinco anos, tornando a participação de nações como o Brasil mais expressiva.
"A mudança do Brasil de 1,4% para 1,7% não vai mudar o mundo, mas, dentro de cinco a 10 anos, o ritmo (do aumento da participação brasileira) será muito forte", afirmou Strauss-Kahn.
Um bloco de 50 países emergentes, representado por Egito, Rússia, Indonésia, Irã e Quênia, rejeitou a nova fórmula, sob o argumento de que ela não transferiu um número suficiente de votos das grandes potências para os países em desenvolvimento.
Strauss-Kahn disse que a reforma é apenas "um primeiro passo".