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Atualizado às: 25 de fevereiro, 2008 - 08h37 GMT (05h37 Brasília)
 
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Um brinde à inteligência
 

 
 
Ivan Lessa
Eu sempre desconfiei. Diziam que eu estava errado. Agora, a ciência vem e mostra que não há como a intuição para se chegar a uma conclusão.

Intuição e inteligência. Quem disser que bêbado é burro não sabe de nada. Bêbado é inteligente. Ou os inteligentes bebem pra burro. Para não mudar de animal logo no início desta viagem a galope que constituirá meu texto.

As pessoas inteligentes têm mais chance de enfrentar dificuldades na dosagem de sua ingestão diária – talvez até mesmo horária – de álcool. Quem o diz é o Conselho Britânico de Pesquisas Médicas. Uma porção de gente sóbria porém razoavelmente inteligente, suponho eu.

Mulheres que bebem

As mulheres, quando se tornam balzaqueanas, isto é, atingem seus 30 anos, têm uma pronunciada tendência para se entender com umas birinaites. Não sei a idade da cantora inglesa Amy Whitehouse, nem das divas americanas Britney Spears e Paris Hilton.

Sei que volta e meia estão se internando numa clínica para desintoxicação. Desintoxicação, até aonde a ciência consegue explicar, de bebidas alcoólicas entre uma profusão de material estranho à fisiologia humana feminina.

Quer dizer, talento, como os comprovados talentos (é o que me afirmam amigos e conhecidos) de Amy, Britney e Paris. Talento para virar celebridade é provavelmente uma prova de inteligência.

Seria indelicado de minha parte tentar adivinhar as idades das senhoras ou senhoritas por mim citadas. Mesmo assim, além de pouco inteligente, sou indelicado, já que minha idade, meus cabelos brancos, me conferem certos direitos adquiridos. Quando se é estrela na constelação da fama, 20 e poucos anos correspondem, fácil, fácil, a aí por volta dos 30 anos.

Todo mundo se surpreendeu com o resultado dessas pesquisas, realizadas, diga-se de passagem, nos Estados Unidos. Os mesmos EUA de George W. Bush, Barack Hussein Obama e Hillary Clinton. Enquanto a maior parte das pessoas aguardava as pesquisas de boca de urna nessa maratona de primárias e caucuses (se é esse o plural da complicada convenção), a pesquisa médica vem e dribla o país e o mundo inteiro.

Explicações necessárias

O fato de mulheres supostamente inteligentes estarem se dedicando em demasia às libações alcoólicas é facilmente explicada pela ciência de nosso país irmão.

Trata-se de uma consequência do esforço depreendido pelas mulheres para, no mundo profissional, onde predominam os homens, o sexo que já foi frágil se ver obrigado a enfrentar tensões inenarráveis afim de manter sua justa equivalência.

Uns drinques aqui e ali ajudam. Às vezes, como os intérpretes da música pop, misturando com umas bolinhas para subir, descer ou ir para os lados. É, como dizem, “uma boa”.

Francamente, não vejo nada de bom nem de muita inteligência nesse entregar-se ao que já foi apodado de “vício maldito”. Uma pessoa inteligente, não importa seu sexo, “manera” nessas situações. Uma boa forma de se definir inteligência é precisamente essa: a capacidade de alguém maneirar isso e aquilo outro.

A ciência moderna, no entanto, não quer saber dessas histórias.

Bottoms up

Aqui no Reino Unido bebe-se muito. Os jornais, através de reportagens, artigos e editoriais, estão sempre demonstrando preocupação com essa beberagem toda.

O governo, de Gordon Brown, e mesmo de seus antecessores, sempre tentou encontrar uma solução, ou pelo menos uma fórmula de se contornar o problema, que é de natureza social.

Além do mais, agora que se sabe que as pessoas mais inteligentes são aquelas que mais bebem, dá um profundo desgosto, uma sensação de desperdício, constatar tanto talento, tanto intelecto, tanta inteligência, se apoiando nos postes, ou mesmo se sentando no meio-fio, e vomitando sua alma. Melhor dizendo: vomitando, ou pondo para fora, sua inteligência.

Providências enérgicas estão sendo estudadas. De aumentar ainda mais o preço das bebidas alcoólicas. De impor à sua publicidade severas restrições. E outras mais.

Morre-se muito no Reino Unido de complicações físicas resultantes de excessos etílicos. Não é uma prova de inteligência. É preciso repetir isso para que o povo, pelo menos o povo mais inteligente, não desperdice os dotes que Deus e a sopa genética lhes deram.

O resto, o pessoal irremediavelmente burro, na verdade, que beba à vontade. Só não bote o caroço pra fora nas ruas, poluindo-as e onerando a limpeza pública. Não venham chorando depois pedir socorro ao sistema de saúde nacional. Isso violenta o pobre contribuinte, seja ele pouco dotado nos méritos intelectuais ou uma sumidade.

Conclusão

Beber bem é não beber. Um brinde, pois, à abstinência e a moderação.

 
 
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