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Atualizado às: 07 de novembro, 2007 - 11h00 GMT (09h00 Brasília)
 
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O passado na ponta dos dedos
 
Ivan Lessa
Passo os olhos, ou flipo, conforme o caso, alguns jornais brasileiros online. Todos os dias. Sim, parece maluquice, falta do que fazer, mas a verdade é que eu tenho uma real curiosidade em saber das estrepolias em que andamos metidos.

Não são poucas. Nem me saem barato. Isso por que várias folhas me cobram pelo privilégio. Eu pago. Seria hipocrisia dizer que pago de bom grado. Não. Não pago nem cafezinho de bom grado. Pago de grado mais ou menos a jornaleira. Vai tudo para o cartão de crédito. Não entrarei também em detalhes, que eu não sou homem de detalhes, não consto do repertório de Roberto Carlos. Uma coisa eu digo: barato não é.

Passo os olhos também em outros jornais: ingleses (pelo menos uns quatro), franceses, vez por outra o El País espanhol, já tive minha época dos franceses Le Monde e Libération. Pelo menos uma vez por semana dou um pulinho a Portugal, país de meu afeto e admiração, para ver o que O Público e o Diário de Notícias têm a me dizer. Do The New York Times e do Washington Post sou freguês. Digo outra coisa: não pago um tostão a nenhuma das versões completas online dos jornais citados – e outros esquecidos. E nem falei das revistas, todas gratuitas também. Tal como deve ser. Já que me parece justo, me soa correto.

Mas, agora, se eu quiser ler o The Guardian, que eu compro todo dia, ou o The Observer, que eu pego aos domingos, vou ter de pagar. E pelo tempo que eu ficar folheando os tradicionais jornais. Parece fogo, não é mesmo? Mas não é. Já explico.

The Guardian & The Observer

O Guardian, originalmente The Manchester Guardian, pois naquela cidade do norte nasceu e era publicado, juntamente com o Observer, dos domingos, sem falar em diversas outras publicações, tudo isso pertence ao Scott Trust, uma fundação de caridade, que garante em perpetuidade sua independência editorial, assim como do resto da turma (tem até estação de rádio no bolo). Fico apenas nos dois exemplos uma vez que são os que vêm ao caso. Ambos são do que por aqui, e por toda parte também, talvez até aí, costuma se chamar de “à esquerda do centro”.

O Guardian foi às bancas, pela primeira vez, em 1821. O Observer, em 1791. Quem quiser dar uma espiada nas publicações tinha, até ontem mesmo, que dar uma chegada às bibliotecas dos jornais ou a British Library. Quem achava, há tempos, que o microfilme ia resolver a coisa errou. Tiveram, tivemos, de esperar a informática.

Aos fatos, coisa em que sou fraco. Toda essa jornalada está agora online. Ou quase toda. Nesta primeira fase, leitores do Guardian têm acesso ao texto integral do diário de 1821 a 1975. Do Observer, dominical, de 1900 a 1975. No início do ano que vem, a segunda fase entra em ação, com o Observer completo de 1791 a 1899, palavra por palavra, anúncio por anúncio, e o Guardian de 1976 a 2003.

Um tesouro para pesquisadores, bisbilhoteiros e gente que simplesmente não tem o que fazer. Aquele velho clichê de que jornal só serve para embrulhar peixe e fritas (o proverbial “fish and chips” destas ilhas) vai para a cucuia, como esta última palavrinha para lá já seguiu.

O preço do passado

Escrito assim, parece título de filme meio maroto. No entanto, conforme eu disse, e vou novamente de clichê, já que estou lidando com a palavra impressa, é batatolina. Passar os olhos em página após página dos jornais em questão vai custar uns trocados.

Para ser preciso, a coisa vai funcionar da seguinte maneira: haverá três opções para o leitor online, sendo que a primeira é a de ter 24 horas de acesso a um preço de 7,95 libras, pouco mais de 16 dólares. A segunda, de 3 dias a, sempre na desvalorizada moeda, por volta de 30 dólares. Finalmente, um mês a preços de arrasar, conforme nossas liquidações já mentiram, ou seja, 100 dólares, ou por aí, mas de verdade. Eles aceitam também períodos maiores. Preços a combinar. Que é mais do que muita gente boa, senhora ou senhorita, faz.

Uma oferta introdutória me interessou e já fui nessa: passes livres, isto é, grátis, de 24 horas aos leitores do jornal, e ele é aquele com o qual vou, conforme já disse: basta entrar no website para pegar o passe. Querendo voltar, oferecem um desconto de 50%. Talvez eu embarque ou não nessa. De qualquer forma, digitem aí se a tentação existir: www.guardian.co.uk/archive. Depois, por favor, não me contem nada. Estarei ocupado. Online, claro.

Dado extra

O dado que vou fornecer já deve ser do conhecimento de todo internauta, eu é que sou uma besta. De qualquer forma, é minha oferta grátis, este meu item de almanaque: os arquivos completos do Guardian e do Observer correspondem a 4 “terabytes”, cuja existência eu desconhecia por completo e melhor estaria se continuasse desconhecendo. Me dá aflição. Isso, os 4 “terabytes”, corresponde a cerca de 1,2 milhão de páginas disponíveis no arquivo, quando, no ano que vem, ele estiver completado. Ou ainda, 50.125 edições só do Guardian, desde seu lançamento em 1821. E… e o resto vocês cheguem lá e confiram.

 
 
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