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Atualizado às: 29 de setembro, 2007 - 10h47 GMT (07h47 Brasília)
 
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Manifestantes voltam a desafiar Exército em Mianmar
 
Ibrahim Gambari
Enviado da ONU, Ibrahim Gambari, quer solução política para crise
Centenas de manifestantes voltaram às ruas de Mianmar (a antiga Birmânia) neste sábado, apesar da violenta repressão das forças de segurança do governo nos últimos dias.

Depois de uma manhã calma, os ativistas pró-democracia voltaram a organizar protestos em Yangun, a antiga capital e principal cidade do país, e foram recebidos a golpes de cacetetes por policiais, segundo testemunhas. Pelo menos duas pessoas teriam sido gravemente espancadas.

Na cidade de Pakokku, na região central de Mianmar, centenas de monges budistas lideraram uma marcha pacífica.

As novas manifestações surpreenderam o governo, que havia intensificado a presença militar nas ruas e, mais cedo, havia declarado pela mídia estatal que a paz e a estabilidade haviam sido restabelecidas.

Pouco depois do início dos protestos deste sábado, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Gambari, começou sua missão no país com o objetivo de tentar convencer as autoridades militares a dar um fim à repressão do movimento pró-democracia.

A ação do governo contra os manifestantes deixou pelo menos nove mortos, entre eles um jornalista japonês, e foi duramente criticada pela comunidade internacional.

Missão

O enviado especial da ONU a Mianmar deverá pedir à junta militar que encerre de modo pacífico os confrontos com os manifestantes.

A Casa Branca pediu nesta sexta-feira que Gambari possa se encontrar com qualquer um que deseje: os líderes militares, os líderes religiosos e a líder dissidente Aung San Suu Kyi, mas ainda não se sabe se isso será possível.

Segundo o correspondente da BBC em Bangcoc, Chris Hogg, que monitora os acontecimentos em Mianmar, as conexões de internet foram restauradas no país neste sábado.

Os militares tentaram impedir a divulgação de imagens e informações sobre os protestos por meio da internet e, na sexta-feira, dois dos principais provedores de acesso do país pararam de funcionar.

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, disse nesta sexta-feira que acredita que o número real de mortos nas manifestações dos últimos dias contra o governo em Mianmar possa ser "muito maior" do que admitem as autoridades locais.

Na quinta-feira, o governo de Mianmar anunciou que nove pessoas haviam morrido. No entanto, um grupo dissidente no exílio, o US Campaign for Burma, disse que 200 manifestantes morreram e muitos outros foram presos e agredidos.

 
 
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