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Relator da ONU teme 'banho de sangue' em Mianmar | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Indagado se as atuais manifestações poderiam resultar em um novo levante nacional como o ocorrido em 1988, quando cerca de 3 mil pessoas foram mortas durante protestos contra o governo, Pinheiro respondeu que o que pode prever é a possibilidade de um "catástrofe". "Se a comunidade internacional não atuar de forma coordenada e eficiente, conversando e negociando com o apoio dos membros do Conselho de Segurança da ONU, tentando abrir um diálogo com as autoridades de Mianmar, eu não vejo nenhum levante. O que vai haver é uma repressão", disse Pinheiro à BBC Brasil. De acordo com o relator, os países-membros da ONU teriam que conversar imediatamente com todas as partes envolvidas, além de mandar um enviado especial ao país. O Conselho de Segurança da ONU já anunciou que o enviado especial Ibrahim Gambari seguirá para Mianmar e pediu às autoridades do país que o recebam "o mais rápido possível". China "Há uma esperança de que o Conselho de Direitos Humanos vai discutir a situação de Mianmar antes que acabe a Assembléia Geral da ONU nesta sexta-feira", disse Pinheiro, que há sete anos trabalha como especialista em Mianmar para as Nações Unidas. "Não adianta fazer declarações bombásticas. Não acredito em palavras ou resoluções. Acredito em ação coordenada", comentou. As grandes potências e os países da região, em especial a China (que tem grande influência sobre Mianmar), deveriam lidar com a situação com urgência, avalia o brasileiro. "A China já tem expressado para as autoridades de Mianmar a necessidade de elas não lidarem dessa maneira com os protestos e caminharem na direção de um processo de transição. Espero que a Rússia também venha a colaborar." A China e a Rússia adotam a posição de que os problemas em Mianmar são questões internas do país e vetaram, em janeiro, uma resolução da ONU que criticava o governo militar birmanês. Monges Para Pinheiro, o objetivo dos monges budistas que lideram os protestos ainda é que o governo se desculpe pelas agressões durante um protesto na cidade de Pakokku, em setembro, em que três monges ficaram feridos. "O governo, respondendo de uma maneira brutal a esses protestos, politiza as manifestações. Mas a intenção dos monges é obter um pedido de desculpa", afirma. Ao verem seus colegas sendo espancados nas ruas, os religiosos estariam cada vez mais envolvidos em demonstrações de repudio ao regime militar, segundo Pinheiro. "Ao lado dos monges, e não é preciso nenhuma teoria conspiratória para saber isso, outros movimentos estão conjugados porque, depois de quase meio século de repressão, é evidente que uma manifestação desse tipo chama a si outras manifestações de coragem." |
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