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Atualizado às: 13 de setembro, 2007 - 22h46 GMT (19h46 Brasília)
 
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Lula aconselha sindicalistas dinamarqueses a seguir seu exemplo
 

 
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso na Dinamarca
Presidente Lula visitou principal central sindical da Dinamarca
"Valeu a pena teimar em ser presidente do Brasil. Não foi fácil: perdi três eleições. Perder três eleições significa esperar 12 anos."

Com essas palavras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou nesta quinta-feira encorajar sindicalistas dinamarqueses a continuar buscando espaço na política. No último compromisso da visita a Copenhague, ele pediu:

"Torçam para que eu dê certo (no governo), porque tudo será mais fácil para vocês e para os trabalhadores de todo o mundo."

O presidente, que fez escala na capital dinamarquesa em seu giro pelos países nórdicos, falou a trabalhadores na sede da LO, a principal central sindical da Dinamarca, um moderno prédio envidraçado à beira do rio Sydhavnen.

“Se eu trabalhasse aqui, em um prédio desses, de frente para esse rio, fazia uma revolução todo dia”, brincou Lula.

O presidente se mostrou à vontade em três discursos ao longo do dia - depois de um café da manhã com empresários, antes de um almoço com o primeiro-ministro dinamarquês e à tarde com os sindicalistas.

Várias vezes utilizou metáforas da infância pobre e da modesta vida de operário para tentar sensibilizar os dinamarqueses, um dos povos mais ricos do mundo.

Vida de operário

Para garantir a empresários que a política fiscal será "dura" em seu governo, por exemplo, disse que aprendeu como operário que só se pode gastar o que se tem.

"Se eu gastar mais do que ganho, não vou chegar a lugar nenhum", ensinou, rejeitando que o rigor seja apenas uma resposta às exigências dos mercados.

"A política fiscal não será feita pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), porque o FMI não está no Brasil."

Em uma breve entrevista conjunta com o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, Lula lançou mão de outro exemplo pessoal para garantir que o país não está vulnerável à crise financeira mundial que ameaça se formar na esteira da crise americana.

Contou que, em sua meninice, cada chuva forte significava a inundação de sua casa, apesar das diversas tentativas da família de levantar uma barreira para conter a água.

No caso brasileiro, segundo a metáfora presidencial, a estabilidade macroeconômica é o muro mais resistente contra as águas (a crise).

Plebeus e monarcas

O ex-plebeu republicano chegou mesmo a mencionar que aprendeu, em suas viagens como presidente do Brasil, a entender o sistema monárquico.

“Seria possível uma Inglaterra sem a monarquia? Uma Dinamarca?” – questionou Lula, respondendo à pergunta da imprensa dinamarquesa sobre as suas impressões em relação à família real do país.

“Agora eu entendi que (a monarquia) faz parte da cultura, está enraizada na alma do povo. E tive uma agradável surpresa: o povo adora”, afirmou o presidente.

“Em alguns casos, a democracia só foi mantida num país pela existência de um rei, da figura que ele representa.”

Lula pareceu tentar cativar seus interlocutores em assuntos globais como o combate à fome no mundo, o desenvolvimento da África e as negociações comerciais da Rodada Doha.

Na única referência à política doméstica em todo o dia, ele disse a jornalistas brasileiros que desejava ver o Senado "voltar à normalidade", horas depois de a Casa absolver seu aliado político, o alagoano Renan Calheiros.

"Para um presidente da República o que interessa é que o Senado volte a funcionar com normalidade porque temos coisas muito importantes a serem votadas, como a CPMF a reforma tributária, coisas de interesse do povo brasileiro.”

No fim da tarde Lula seguiu para Oslo, na Noruega, onde foi recebido pelo rei Harald e a rainha Sonja.

E depois, segundo sua assessoria de imprensa, o presidente se recolheu ao Palácio Real sem emitir mais declarações.

 
 
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