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31 de agosto, 2007 - 08h43 GMT (05h43 Brasília)

Brasil joga luz sobre seus anos sombrios, diz 'The Guardian'

Reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário britânico The Guardian afirma que o Brasil “joga luz sobre seus anos sombrios” da ditadura militar (1964-1985) com a publicação nesta semana do livro Direito à Memória e à Verdade, primeiro relato oficial sobre as atrocidades cometidas durante o regime.

“O livro de 500 páginas foi lançado na quarta-feira após 11 anos de pesquisas. Ele relata torturas sistemáticas, estupros e o desaparecimento de cerca de 500 ativistas de esquerda e inclui fotos de corpos e de vítimas torturadas”, diz o jornal.

A reportagem comenta que o lançamento “coincide com o 28º aniversário da Lei de Anistia brasileira, de 1979, que perdoou tanto os dissidentes de esquerda quanto os militares”.

O jornal destaca o comentário feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento do livro, de que o governo está trabalhando para “virar definitivamente essa página sombria da nossa história”.

'Cemitérios clandestinos'

“Os grupos de direitos humanos dizem que ao menos 485 ativistas políticos foram mortos ou seqüestrados e nunca mais foram vistos”, diz o texto. “Acredita-se que alguns estão enterrados em cemitérios clandestinos, apesar de o livro não conter detalhes específicos de suas localizações.”

A reportagem comenta ainda que “os ativistas dizem que o regime militar brasileiro criou a idéia do ‘desaparecido’ e exportou os métodos de tortura pela América Latina”.

O jornal relata que Lula prometeu divulgar mais documentos sobre o período “em busca de reconciliação”, mas que afirmou que grande parte dos documentos já foram tornados públicos.

Porém Cecilia Coimbra, fundadora da organização Tortura Nunca Mais, critica a afirmação de que a maioria dos documentos sobre o período já haviam sido divulgados.

“Onde (eles morreram)? Como? Quando? Quem os matou? Estas questões permanecem sem resposta”, questionou ela, no relato do Guardian.