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09 de agosto, 2007 - 18h59 GMT (15h59 Brasília)

Assimina Vlahou
De Roma

Líder judeu critica papa após encontro com padre polêmico

O líder da comunidade judaica de Roma, Leon Passerman, criticou a decisão do papa Bento 16 de se encontrar com um padre acusado de anti-semitismo, dizendo que o encontro, no domingo, foi um sinal de que o pontífice está se aproximando mais dos conservadores e se fechando a uma aproximação com os judeus.

Bento 16 recebeu o padre Tadeusz Rydzyk - diretor da radio Maryja, uma emissora polonesa muito criticada por grupos judeus - em sua residência de verão perto de Roma, junto com um grupo de fiéis.

Em entrevista ao jornal La Stampa, Passerman disse que o gesto do papa demonstraria a intenção do Vaticano de manter dentro da igreja os simpatizantes de padre Rydzyk e representa uma mudança na linha política da Santa Sé.

Passerman definiu o encontro como um "reconhecimento público clamoroso de uma rádio nacionalista, populista e anti-semita num país onde havia 3,5 milhões de judeus e hoje apenas 5 mil".

"Na Polônia estão tentando voltar atrás no tempo, com relação à sociedade secularizada, e a audiência de domingo é uma autorização implícita ao Catolicismo tradicionalista", disse o líder judeu.

"Depois de alguns sinais de abertura em relação ao judaísmo, no início, este pontificado começou a seguir posições fortemente conservadoras."

"Saudação"

O aperto de mãos entre Bento 16 e o padre Rydzyk também provocou forte reação em outras partes do continente europeu.

"As afirmações anti-semitas de padre Rydzyk são amplamente transmitidas por meio de sua rádio, por isto ficamos chocados que o papa tenha concedido audiência e sua bênção a um homem e uma instituição que mancharam a imagem da igreja polonesa", diz uma nota divulgada na quarta-feira pelo Congresso Judaico Europeu, a entidade que reúne as comunidades judaicas de toda a Europa.

Os jornais poloneses definiram o encontro como uma verdadeira audiência de Rydzyk com o papa, enquanto fontes do Vaticano deram menor importância ao evento, definido como "uma saudação mais que encontro".

Depois das reações das comunidades judaicas, o Vaticano fez um breve comentário sobre o caso, com uma nota oficial, divulgada nesta quinta-feira.

O texto afirma que o encontro de domingo "não implica em alguma mudança na bem conhecida posição da Santa Sé sobre a relação entre católicos e judeus".

Durante sua visita a Polônia, em maio do ano passado, o papa não quis receber o padre e exigiu formalmente que ele deixasse de fazer declarações anti-semitas. Mas nenhuma providência mais drástica foi tomada.

Durante seu pontificado, Bento 16 tem anunciado medidas que foram interpretadas por analistas como tentativas de aproximar a Igreja de setores mais conservadores do Catolicismo, ao mesmo tempo em que afastam a Igreja de outras denominações cristãs e não-cristãs.

Em julho, o Vaticano divulgou um decreto de previa o retorno das missas em latim e a reintrodução nos ritos católicos uma polêmica oração que pede a conversão de judeus ao catolicismo.

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