03 de agosto, 2007 - 22h00 GMT (19h00 Brasília)
Daniela Fernandes
De Paris
O Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (sigla BEA, em francês), órgão do governo francês encarregado de investigar acidentes com aviões comerciais fabricados por empresas do país, divulgou nesta sexta-feira um comunicado criticando as especulações que circulam no Brasil sobre o acidente com o Airbus 320 da TAM em São Paulo.
"É um grave erro tentar tirar conclusões com base em informações parciais e não analisadas. Além disso, as tomadas prematuras de posições sobre as causas do acidente poderão comprometer a objetividade das investigações", diz o comunicado do BEA.
O organismo diz "lamentar que todo tipo de informações, corretas ou errôneas, circulem, como também especulações e tentativas de explicações".
O governo francês tem uma participação de 15% no capital do consórcio europeu EADS, principal acionista do fabricante Airbus.
'Sofrimento agravado'
Segundo o organismo francês, os comentários que circulam "deixam a opinião pública desorientada e agravam o sofrimento das famílias das vítimas".
Especialistas do BEA viajaram a São Paulo no dia seguinte à catástrofe aérea, acompanhados de técnicos do mesmo organismo equivalente na Alemanha, o BFU, para acompanhar as investigações do acidente.
A assessoria do BEA disse à BBC Brasil que a decisão de enviar conjuntamente especialistas da França e da Alemanha para acompanhar as investigações havia sido tomada pouco depois do acidente da TAM.
A iniciativa dos dois organismos de trabalhar juntos foi colocada em prática pela primeira vez após a catástrofe aérea em São Paulo.
O Escritório francês de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil é subordinado ao recém criado ministério francês do Meio-Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.
Na nota divulgada nesta sexta, o organismo diz que "respeitará os procedimentos internacionais" que permitem o acesso às informações disponíveis e também "comentar oficialmente o projeto de relatório final antes que ele se torne público".