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Brasil joga luz sobre seus anos sombrios, diz 'The Guardian' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário britânico The Guardian afirma que o Brasil “joga luz sobre seus anos sombrios” da ditadura militar (1964-1985) com a publicação nesta semana do livro Direito à Memória e à Verdade, primeiro relato oficial sobre as atrocidades cometidas durante o regime. “O livro de 500 páginas foi lançado na quarta-feira após 11 anos de pesquisas. Ele relata torturas sistemáticas, estupros e o desaparecimento de cerca de 500 ativistas de esquerda e inclui fotos de corpos e de vítimas torturadas”, diz o jornal. A reportagem comenta que o lançamento “coincide com o 28º aniversário da Lei de Anistia brasileira, de 1979, que perdoou tanto os dissidentes de esquerda quanto os militares”. O jornal destaca o comentário feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento do livro, de que o governo está trabalhando para “virar definitivamente essa página sombria da nossa história”. 'Cemitérios clandestinos' “Os grupos de direitos humanos dizem que ao menos 485 ativistas políticos foram mortos ou seqüestrados e nunca mais foram vistos”, diz o texto. “Acredita-se que alguns estão enterrados em cemitérios clandestinos, apesar de o livro não conter detalhes específicos de suas localizações.” A reportagem comenta ainda que “os ativistas dizem que o regime militar brasileiro criou a idéia do ‘desaparecido’ e exportou os métodos de tortura pela América Latina”. O jornal relata que Lula prometeu divulgar mais documentos sobre o período “em busca de reconciliação”, mas que afirmou que grande parte dos documentos já foram tornados públicos. Porém Cecilia Coimbra, fundadora da organização Tortura Nunca Mais, critica a afirmação de que a maioria dos documentos sobre o período já haviam sido divulgados. “Onde (eles morreram)? Como? Quando? Quem os matou? Estas questões permanecem sem resposta”, questionou ela, no relato do Guardian. |
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