BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 23 de agosto, 2007 - 11h27 GMT (08h27 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
DNA revela ancestralidade africana desconhecida por cearense
 

 
 
O cearense Gilberto Leite da Silva, na sua casa, em Fortaleza
Gilberto: 'A minha grande busca agora vai ser dessa origem negra'
O cearense Gilberto Leite da Silva, de 44 anos, se surpreendeu ao saber que era 56% ameríndio, mas ficou especialmente intrigado para descobrir de onde vieram os 18,6% da ancestralidade africana.

Os resultados, que indicam ainda que ele é 23,1% europeu, são estimativas feitas com base nos exames de DNA que Gilberto fez a convite da BBC Brasil, depois de ter tido a sua história escolhida na promoção "Descubra os seus ancestrais".

"A minha grande busca agora vai ser dessa origem negra, de onde veio, quem são essas pessoas que eu não conheço. Isso está me causando um certo frisson", disse o leitor, que é funcionário público em Fortaleza e pai de dois filhos.

"Eu sabia que tinha essas características, mas não tem nenhum histórico na família que me mostre: esse seu tio é negro ou essa sua tia é negra. Vou atrás disso."

Por outro lado, Gilberto sabia que a origem ameríndia seria forte por causa da história do pai.

"Ele nasceu em Caponga, que é uma praia que fica distante de Fortaleza uns 60 quilômetros. É quase uma tribo indígena mesmo, de pescador, aquela coisa bem restrita, que teve acesso a estrada na década de 70. Até então, eles eram totalmente isolados".

Gilberto e a família na sua casa, em Fortaleza
Gilberto e a família na sua casa, em Fortaleza

Ainda assim, Gilberto não se via "tão índio". "Pensei que os percentuais fossem ser mais próximos uns dos outros, mais homogêneos. Mas deu de ameríndio um percentual bastante elevado."

Diversidade dentro de casa

Com seis irmãos, Gilberto conta que cresceu com a diversidade da população brasileira dentro de casa.

"São cinco mulheres e dois homens com características totalmente diferentes. Tem brancos, tem mais morenos, que é o meu caso, tem um pouco mais morenos do que eu."

"Nós crescemos com essas diferenças e características, que eu acho que são bem marcantes dessa mistura que é o povo brasileiro, que fica bem delineado, bem caracterizado na nossa família."

O cearense atribui o desconhecimento das suas origens africanas em parte ao que chama de "exclusão" do negro no Nordeste e no seu próprio Estado.

"Nenhuma família admite origem africana, ninguém faz menção a isso", disse.

Gilberto diz que quer aproveitar as revelações da genética para resgatar as suas raízes africanas e indígenas.

"Existe um foco muito grande no que diz respeito à Europa e esquecemos um pouco da questão indígena, da questão africana. Com esse resultado (de DNA) você olha com mais carinho para essa sua outra vertente. Acrescenta muito, enriquece ainda mais o nosso perfil, a nossa história."

Ele se surpreendeu também ao saber o resultado do exame da sua linhagem materna, que indicou o haplogrupo (conjunto de seqüências genéticas) C1, de origem ameríndia.

"Eu achei que isso viria da herança genética do meu pai, e não da minha mãe."

Já o exame da ancestralidade paterna indicou o haplogrupo europeu J2, típico da Península Ibérica - como o cearense já imaginava por conta do sobrenome Leite e Silva, que é muito comum entre os chamados cristãos novos - outra novidade para Gilberto.

"Eu não tinha a menor noção de que poderia ter essa origem dos cristãos novos."

 
 
Gilberto, na sua casa em FortalezaDNA do leitor
56% índio, cearense diz que 'vai buscar' origens africanas.
Veja
 
 
A leitora Luciana Lopes dos SantosDNA da leitora
Leitora se surpreende com teste de DNA.
Veja
 
 
O cearense Gilberto Leite da Silva, um dos leitores selecionados pela BBC Brasil para fazer seu exame de DNA, com a famíliaOrigens africanas
Genética revela ancestrais omitidos na história familiar.
 
 
Para acadêmico, harmonia racial é apenas aparenteBrasil
Miscigenação não leva à democracia racial, diz sociólogo.
 
 
Floriano PeixotoHistória do Brasil
Para historiador, papel de vítima do negro estimula preconceito.
 
 
Colagem com os participantes do projetoEspecial Raízes
Teste de DNA rastreia antepassados de afro-brasileiros.
 
 
Ilustração de uma cadeia de DNATécnica
Entenda como o DNA é usado na busca por origens
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade