09 de julho, 2007 - 10h45 GMT (07h45 Brasília)
Marina Wentzel
De Hong Kong
O Judiciário chinês emitiu no último domingo um documento listando novas formas de se interpretar crimes de corrupção. O documento deve servir de referência para os promotores no indiciamento de réus.
A nova definição jurídica mais abrangente inclui aceitar ações e títulos de presente, comprar bens caros por preços muito baixos e enriquecer com jogos de azar.
Além disso, o documento também considera deslize: utilizar-se da posição política para fechar negócios, ajudar a administrar empresas de terceiros, aceitar presentes (mesmo após o fim de um mandato) e receber e disfarçar dinheiro ilícito com o auxílio de laranjas como família, amigos e associados.
Dependendo do caso, a troca de favores passará a ser considerado ato de suborno.
Da mesma forma, pode haver condenação sem a comprovação de que realmente tenha ocorrido pagamento de dinheiro. Bastará a comprovação de que houve clara intenção de requisitar propina.
Esforço extenso
O documento foi emitido em conjunto pela Corte Suprema do Povo (CSP) e pela Procuradoria Suprema do Povo (PSP) e faz parte de um extenso esforço do governo chinês de promover o combate à corrupção.
Em maio entrou em vigor uma regulação da Comissão Central de Disciplina e Inspeção (CCDI) que recomenda uma conduta exemplar e proíbe funcionários do Partido Comunista de tirar vantagens pessoais de suas posições.
Em campanha recente, a CCDI convocou servidores públicos que tivessem cometido o crime de trocar “poder por dinheiro” a admitir seus erros até o fim de junho. Caso contrário, se descobertos, enfrentariam “severas punições”.
Apenas na província central de Henan, até 15 de junho, 979 funcionários haviam confessado seus pecados e devolvido dinheiro ilícito num total de 8,21 milhões de yuans (R$ 2 milhões), segundo números oficiais divulgados pela agência de notícias Xinhua.
Xia Zanzhong, vice-secretário do CCDI, disse que nos últimos anos os casos de corrupção estão cada vez mais escondidos, ao passo que as leis e regulamentações não ofereciam regras claras e relevantes para tratar desse problema.
Segundo especialistas legais ouvidos pela Xinhua, a campanha e o documento jurídico são um “passo bem coordenado de disciplina dentro do partido e no sistema judiciário” para enfrentar “mais e mais sofisticados” crimes de colarinho branco.
Combate à corrupção
O Partido Comunista tem visto o combate à corrupção como uma prioridade desde 2006.
Os escândalos mais notórios nos últimos tempos envolveram a expulsão do ex-secretário do partido em Xangai, Chen Liangyu, e a condenação à morte do ex-chefe da agência que supervisiona questões sanitárias, Zheng Xiaoyu, por aceitar 6,5 milhões de yuans (R$ 1,6 milhão) em propinas em troca da aprovação de licenças a novos remédios.
De acordo com a imprensa oficial, somente no ano passado, promotores investigaram 9.582 casos de suborno envolvendo 1,5 bilhões de yuans (R$ 400 milhões).
A maioria dos crimes ocorreu nos setores de sub-contratação de serviços do governo, comércio de medicamentos e desenvolvimento de novos projetos imobiliários.
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