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Atualizado às: 29 de junho, 2007 - 12h21 GMT (09h21 Brasília)
 
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Egito fecha clínicas de circuncisão feminina
 

 
 
menina durante circuncisão
Menina tem parte do clitóris e dos lábios vaginais removidos
Após a proibição da circuncisão feminina, anunciada pelo Ministério da Saúde do Egito nesta quinta-feira, 36 clínicas particulares foram fechadas no Estado de Minya, no centro do país.

O governo egípcio decidiu proibir a circuncisão depois que uma menina de 12 anos morreu na semana passada, durante uma operação em uma clínica particular em Minya.

O incidente levou vários grupos de defesa de direitos humanos a reforçarem a pressão contra o governo egípcio para banir a prática.

De acordo com um relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência) de 2005 sobre a mutilação genital feminina, 97% das mulheres de 15 a 49 anos no Egito tinham sido submetidas à operação.

“Qualquer circuncisão será considerada uma violação da lei e todas as contravenções serão punidas”, afirmou um porta-voz do Ministério da Saúde, acrescentando que a proibição é “permanente”.

Proteção da castidade

A operação, que consiste na remoção de parte do clitóris e dos lábios vaginais, serviria para diminuir o desejo sexual feminino e é considerada por famílias conservadoras uma forma de proteger a castidade da filha.

Tanto garotas muçulmanas como cristãs são submetidas à circuncisão no Egito e no Sudão, especialmente nas áreas rurais destes países.

A prática também é comum na Eritréia, Etiópia e Somália, mas é rara no mundo árabe.

Há vários anos, a primeira-dama do Egito, Susanne Mubarak, vem se manifestando contra a circuncisão feminina, dizendo que a operação é um exemplo da violência física e psicológica contínua contra crianças.

Ceticismo

As autoridades religiosas do Egito também repudiaram a prática.

Após a morte da menina de 12 anos, o grande mufti do Egito, o árbitro oficial do governo sobre a lei islâmica, disse que a “mutilação genital feminina é proibida”.

O grande xeque da mesquita Al-Azhar, no Cairo, Mohammed Sayed Tantawi, também disse que a prática é “anti-islâmica” e que o Alcorão não exige a mutilação genital feminina.

O líder da comunidade cristã egípcia, o papa Shenouda, também afirmou que a Bíblia não menciona a prática.

Apesar de todas as declarações e da proibição do governo, o diretor-executivo da Rede Árabe para Informação sobre Direitos Humanos, Gamal Eid, se mostrou cético em relação ao fim da mutilação.

“O governo não é sério no combate da prática e fechar estas clínicas é uma forma de dizer que está tudo sob controle”, afirmou Eid.

Ele lembra que o governo já tinha anunciado uma série de restrições à circuncisão em 1996, após uma menina de 11 anos ter morrido durante uma operação, “mas elas nunca foram implementadas na prática”.

 
 
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