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Atualizado às: 25 de junho, 2007 - 09h13 GMT (06h13 Brasília)
 
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Vício eletrônico
 
Ivan Lessa
Mais um dia, mais uma pesquisa. Desta vez quem a divulga foi a ICM. Ou o ICM, não sei. Limito-me a passar adiante o que li no jornal. Não tenho tempo para googlar ICM, já que eu tenho que acabar esta croniqueta e, logo depois, enviar e responder meus sete emails do dia.

Vá lá que seja: voltei atrás e googlei. ICM é tida como a maior companhia britânica encarregada de pesquisas, sondagens e enquetes. Pronto, aí está.

Antes de prosseguir, vamos deixar uma coisa bem clara: é email. Sem hífen.

Quem o diz é o dicionário Oxford que, em geral, sabe melhor do que eu o que e como se está falando e escrevendo. Em português, o dicionário Houaiss prefere com hífen: e-mail. Tudo bem. O hífen, como a crase, não foi feito para humilhar ninguém. Esperemos, no entanto, a próxima edição. OK?

Mas, vira e mexe, do que se está falando mesmo é correio eletrônico. Peço, ao menos, que não inventem, não cunhem novidades. Feito “cortrônico” ou “eletrocor”.

Bobeia e vem um acadêmico imortal e institucionaliza o bicho. Nós podemos ser ruim de bola em matéria de siglas (PIS-PASEP) e abreviações (cor.cof.enf.) e o empréstimo, ou apropriação, de palavras anglo-americanas continua a ser difundido e seguido fielmente conforme manda (creio) a mais recente Constituição.

Isso não passa de uma adaptação aos princípios do século XXI. O tempo regará ou ceifará nossas palavras, se me permitem uma pausa parnasiana. Mesmo que não permitam, já cravei neste texto minhas garras poéticas. É isso aí. Email tá bom. Já que está, deixa ficar.

Os fatos

A manchete era pequena mas, como certas mulheres, escandalosas: “Metade dos britânicos não pode viver sem email”. Direitinho uma namorada, amante ou digníssima esposa criando caso aos berros no meio da rua.

No primeiro parágrafo, mais calma, depois de ter tomado um copo de açúcar, a nota explicava que as pessoas, homens ou mulheres, entre os 30 e 40 anos, não consegue existir sem email. Passivo ou ativo. Mandando ou recebendo.

Isso não ficou claro. Quem pensava que essa mandação toda de emails fosse coisa de garoto, entrou pelo cano. Sempre segundo a pesquisa, naquela faixa etária mágica, a mais visada por quem quer que for que estiver vendendo alguma coisa, a faixa entre os 25 e 34 anos, 50% não sabe como continuar viva sem o acesso ao correio eletrônico.

Exagero um pouco. Mas muito pouco. Os jovens são muito dramáticos. Esta mesma faixa, mais sossegada um pouco, foi identificada como a pioneira na comunicação eletrônica afim de se manter em contato não só com o escritório de trabalho, mas também com os amigos. Vamos ser francos, moçada: é muito mais papo com os amigos, confere?

Disso tudo, dessa pesquisa toda, um dado contrariou as expectativas. A geração mais jovem não monopolizou o uso do email. Sim, 41% dos jovens admitiram ( e não há do que ter vergonha) uma certa dependência desse “milagre” eletrônico.

Afinal, não é a mesma coisa que fumar, cheirar ou se injetar de drogas.

Disseram apenas – no equivalente a uma gíria besta e antigona – que “era jóia” mandar e receber emails. Ao passo que 44% daqueles entre os 35 e os 44 anos afirmaram que o email é vital.

Um pequeno dado extra: as mulheres, de qualquer faixa etária, enganando ou não a idade, com ou sem cirurgia plástica estetizante, constituem o grupo sexual (grupo sexual e não “sexo grupal”. Não sejam tolos) que mais destituído se sentiria sem a troca de bilhetinhos informatizados, feito algumas preferem chamá-los.

Pano rápido

Aqui encerro meu passar adiante da pesquisa.

Tenho que escrever, respondendo ou tomando a iniciativa, pelo menos sete emails, minha ração diária.

Eu quero agora é ver se a ICM faz uma pesquisa com o uso, o absurdo e desmandado uso, do telefone celular.

Aí sim é que vai dar besteira para valer.

 
 
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