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Emergentes têm de fazer sua parte, diz Merkel | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu nesta sexta-feira que os países em desenvolvimento também têm de dar sua contribuição no combate ao aquecimento global. "Países em desenvolvimento como a China podem continuar crescendo, mas não de uma maneira ilimitada", afirmou Merkel, em entrevista coletiva, durante a reunião de cúpula do G8 (grupo dos sete países mais industrializados mais a Rússia) em Heiligendamm, na Alemanha. Segundo a anfitriã do encontro, o aquecimento é uma "ameaça global", que só pode ser combatida se todos fizerem a sua parte. "Precisamos encontrar maneiras de conseguir crescimento lado a lado com a redução das emissões." De acordo com Merkel, até 2012, quando expirar o Protocolo de Kyoto, os países em desenvolvimento deverão poluir mais do que poluem hoje e, portanto, é preciso que eles também se comprometam a reduzir as suas emissões. Kyoto prevê um sistema diferenciado com metas obrigatórias apenas para países desenvolvidos e industrializados. Os países em desenvolvimento - apesar de poderem participar do acordo - não tiveram de se comprometer com metas específicas. Divergência A opinião da chanceler alemã diverge da posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que os países desenvolvidos são os maiores responsáveis pela poluição do planeta e que os países em desenvolvimento não devem ter o seu crescimento limitado por eventuais cortes obrigatórios de emissões de gases que causam o efeito estufa. Lula disse que as discussões sobre as medidas para combater o aquecimento global não podem ser "um instrumento de inibição do desenvolvimento dos países pobres". "Tudo o que fizermos daqui para frente não diminui o efeito do que já foi emitido e está provocando o aquecimento global", afirmou o presidente. "Os países em desenvolvimento não abrimos mão da necessidade de crescimento." Segundo o presidente, os países devem investir em tecnologia para encontrar formas de captar o gás carbônico que já está na atmosfera. Lula também voltou a citar a produção de biocombustíveis como uma das maneiras de permitir crescimento econômico e ao mesmo tempo aumentar a área plantada e a capacidade de capturar carbono. O presidente disse entender que os países podem divergir sobre a melhor forma de combater as mudanças climáticas, mas que hoje todos concordam que é preciso fazer alguma coisa para enfrentar o problema. "Há 10 ou 15 anos, falar da questão climática era considerada absurdo, diziam que a pessoa era maluca, que não entendia nada", disse Lula. "Hoje todo mundo está convencido de que é preciso tomar medidas para melhorar o futuro da humanidade." Comércio internacional Em relação a outro dos temas discutidos na cúpula, o comércio internacional, Lula se disse “mais otimista” do que quando chegou à Alemanha sobre um acordo próximo nas negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio. Segundo ele, as negociações, que se arrastam desde 2001, são “como um jogo de pôquer”. “Cada um está pedindo suas cartas e colocando as fichas na mesa, mas em algum momento todos vão ter que mostrar suas cartas”. Os países em desenvolvimento cobram dos países ricos o fim dos subsídios aos seus produtos agrícolas e a abertura de seus mercados à produção agrícola dos países mais pobres. Por outro lado, os países desenvolvidos condicionam essa concessão à abertura dos mercados dos países em desenvolvimento para os produtos industrializados e para serviços. Para Lula, as negociações na OMC são uma oportunidade para que os países mais pobres, principalmente os africanos, possam sair ganhando. Após sua participação na reunião de trabalho e no almoço com o G8, Lula encontrou-se com os primeiro-ministros do Canadá, Stephen Harper, e da Itália, Romano Prodi, e com a anfitriã Angela Merkel, chanceler (primeira-ministra) da Alemanha. |
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