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Atualizado às: 01 de junho, 2007 - 08h41 GMT (05h41 Brasília)
 
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Achados e perdidos no espaço
 
Ivan Lessa
Uma vez, aqui perto de casa, em Londres, eu achei uma nota de cinco libras, toda dobradinha. Abaixei-me, depois de me certificar que não tinha ninguém perto, e embolsei o rico dinheirinho, que, na época, valia bem mais. Dava para comprar uma garrafa de uísque.

Quando garoto, na Copacabana dos anos 40, Rua Domingos Ferreira, numa tarde de chuva, sem companheiros para bater bola, eu zanzava sozinho, para variar, quando dei com um cachorrinho preto de pelúcia, muito feioso, todo molhado, coitado, com o resto de uma fita amarela em torno do pescoço.

Peguei e levei para casa. Pus para secar, arrumei uma fita nova com a arrumadeira, dei-lhe o originalíssimo nome de Blackie e guardei-o comigo por uns tempos. Vá lá que seja, vamos à verdade: por um bocado de tempo.

Confesso também que eu já estava meio grandão para essas coisas. Devia ter uns 8 ou 9 anos. Há, em algum lugar, uma foto minha com ele e meu time de botão, o Paulistas, do qual se tornou mascote oficial.

Não me lembro de ter achado mais nada. O resto era tudo chapinha de refrigerante ou caco de vidro. Não achei sequer uma bolinha de gude.

Leio agora nas folhas que a principal equipe mundial de astrônomos caçadores de planetas acaba de anunciar a descoberta de 28 novos planetas fora de nosso sistema solar.

Segundo os homens, eles se encontram entre 37 objetos – sempre distante de nosso sistema solar – a fazerem órbita em torno de estrelas distantes.

Sete desses objetos são, confirmadamente (pelos cientistas lá), estrelas-anãs marrons, ou seja, estrelas que não chegaram a nada na vida, fracativas, embora mais maciças que o maior dos planetas encontrados. Dois desses objetos ainda aguardam uma definição mais objetiva. Podem ser anãs marrons ou imensos planetas.

Voltemos à nossa chatíssima Terra.

De olho vivo nos céus

Em primeiro lugar, ou em primeira implicância, deduzo que se acharam, de enfiada, 28 novos planetas, é porque os telescópios estão progredindo mais que qualquer outra tecnologia de ponta, inclusive a informática.

Se os astrônomos fossem mais modestos, ou menos gananciosos, achariam dois planetas agora em junho, mais outro perto do Natal, e assim por diante. Dividir, espacejar, esse o segredo da coisa. 28 é um pouco demais.

Além do mais, que história é essa de “caçadores de planetas”? Profissão mais marota nunca ouvi falar. Foi para isso que os pais e as mães da turma toda se sacrificaram para mandar os meninos para os melhores colégios existentes?

E quem resolve ser astrônomo só pode estar – atenção, que eu vou brincar de “jornalista” com bossa – vivendo no mundo da lua. Caçando planetas? Acho mais decente, mais digno, se mandar para os orientes próximos, médios ou distantes e por lá sair, com um laço numa mão e uma metralhadora Kalashnikov noutra, em busca de Osama bin Laden e suas notórias Armas de Destruição em Massa. É, aquelas mais sumidas que coelho em chapéu de mágico.

Quem paga a conta?

Astrônomos! Caçadores de planetas! Parem de tentar nos enganar. Não somos idiotas. Em 2006, o número de planetas conhecidos aumentou em 12%, sinal de que essa busca e “achação” deve estar dando um dinheirão.

Eu quero é saber quem paga a conta da festança? Vocês estão ganhando por planeta encontrado? E, agora, meio necessitados, ou por pura ganância, exageraram e resolveram “descobrir” ou “desvendar de uma só vez” 28 planetas? Hein? Meu espírito malsão, porem inquisitivo, pergunta ainda: vocês estão rachando a tuturama com os fabricantes de telescópios? Confessem, vá.

Digam, ao menos, a verdade. Sejam astrônomos, já que insistem, mas sejam também homens. Ou não querendo, ou podendo, expliquem ao menos para que serve essa planetarada toda?

E, tal como os flamingos homossexuais daqui da Inglaterra, o Carlos e o Fernando, dêem nome a eles todos. Sugiro personagens da insuportável série de filmes da “Guerra nas Estrelas”: C-3PO, Ak-ver, Bao-Dur, Crix Madine, Darth Vader, Iaco Stark e por aí afora. A petizada (olha aquele repórter de novo) vai adorar. Não há falta.

Ou então, se quiserem ser originais, mas originais mesmo, e homenagear o Terceiro Mundo, vão de Sérgio Capeta, Lisomar Xongas, Dudu Branco, Cleomar Pirueta, Aldecyr Preto e outros meliantes do morro do Alemão, no Rio. Hein?

 
 
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