13 de abril, 2007 - 08h05 GMT (05h05 Brasília)
Cientistas da Alemanha anunciaram ter conseguido produzir espermatozóides não-maduros (espermatogônios) a partir de amostras de medula óssea humana.
Os pesquisadores das Universidades de Göttingen e de Münster, e da Escola de Medicina de Hannover, isolaram células-tronco mesenquimais tiradas de voluntários adultos.
Ao apresentar o trabalho, publicado na revista Gamete Biology: Emerging Frontiers on Fertility and Contraceptive Development, eles dizem que se conseguirem fazer com que os espermatozóides se desenvolvam e atinjam a maturidade, a descoberta pode ajudar no tratamento da infertilidade.
Mas outros especialistas em fertilidade alertam que os dados do estudo precisam ser analisados com cautela neste estágio inicial.
Mais anos
É sabido que as células-tronco mesenquimais podem se diferenciar em células que dão origem a diversos tecidos, como musculares, óssos e cartilagem.
Mas é primeira vez que se produz artificialmente espermatogônios humanos dessa maneira.
O líder da pesquisa, Karim Nayernia, disse esperar que a descoberta possa um dia ajudar a tratar jovens homens que perderam a fertilidade por causa de quimioterapia.
"Nosso próximo objetivo é ver se conseguimos fazer com que esses espermatogônios amadureçam e se transformem em espermatozóides no laboratório", afirmou. "Serão necessários de três a cinco anos de experiência para isso."
No entanto, países como a Grã-Bretanha estão aprovando leis que proíbem o uso de espermatozóides e óvulos artificiais em tratamentos para a fertilidade.
Nayernia reconhece que isso pode ser um obstáculo para o desenvolvimento de sua pesquisa.
Já o professor Harry Moore, do Centro de Biologia em Células-Tronco da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, diz que a análise dos resultados obtidos na Alemanha precisa ser cautelosa.
Segundo ele, praticamente todas as observações de transdiferenciação não foram confirmadas em testes mais rigorosos.
"Esta é uma área onde as mudanças ocorrem muito rapidamente, mas ainda estamos longe de desenvolver tratamentos contra a infertilidade usando esse tipo de técnica", afirmou.
Moore também alerta que a manipulação das células-tronco para que se transformem em espermatozóides maduros pode provocar mudanças genéticas permanentes, o que afetaria a "segurança" dessas células.