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Atualizado às: 12 de março, 2007 - 11h18 GMT (08h18 Brasília)
 
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Chic-a-chic-a-boom-chic
 
Ivan Lessa
Estou há alguns dias com este chapéu da Carmen Miranda na cabeça. Até agorinha, eram bananas e mais bananas.

Direitinho aquela sequência célebre sujeita a uma leitura camp, beirando quase seu protótipo e definição, do filme The gang's all here, e que no Brasil deve ter recebido a alcunha de Meu ódio será teu amor ou tolice semelhante.

A “Pequena Notável” cantava e rebolava em meio a bananas gigantescas, em formação esfincteriana caleidoscópica, num requebro que era (ainda é), primeiro, da gente se assustar nas cadeiras, e segundo, de rolar no chão de rir.

The lady in the tutti-frutti hat, esse o nome do fox-rumba especialidade divulgada pela intérprete luso-brasileira em terras do Tio Sam, conforme chamávamos o querido irmão do norte naquela época em que mandamos rapazes morrer na Itália para defender a… o… bem, isso não vem ao caso. Talvez Volta Redonda, para encurtar uma longa história.

Desvio-me do assunto como se ao volante de um carro acompanhando as passeatas de protesto contra a presença em solo pátrio (solo pátrio! Já se viu?) do presidente George W. Bush e vou tentando não pegar um patriota ambientalista ou simples passante ou passista descuidado.

Eu sou, pelo menos por uns dias de sonho e fantasia, The old man in the tutti-frutti hat. Hoje estou indo de laranja. Difícil no cítrico fruto encontrar uma sugestão inconveniente, como é o caso da – perdão, senhoras e senhoritas – banana.

A laranja se divide em gomos e foi feita para ser chupada. Epa! Lá vou eu fazer besteira de novo. Hora de bater um ponto e abrir um parágrafo.

Os espanhóis vêm aí! Os espanhóis vêm aí!

Nós, brasileiros, não vamos só de banana, nhô não! A cana-de-açúcar, além de virar garapa, para quem fala, come e bebe paulistês, é nosso grande trunfo, motivo do mais justificado orgulho, uma espécie de autêntica seleção bicampeã do mundo de 58 e 62 (1970 eu já expliquei que não vale) em matéria de biocombustível.

O petróleo já foi nosso, conforme se berrava nos jornais e nos muros, o que não era bem verdade. Agora, o etanol, esse não tem por onde. Somos os maiorais, os donos da bola, os vencedores dos Oscar que vão de efeitos especiais aos melhores desempenhos por ator e atriz, direção e roteiro original e adaptado.

O etanol é nosso, já que o petróleo ficou no quase-quase e o gato acabou comendo. Bush veio, viu, ouviu e não entendeu nada. O que não o impede de fazer besteira após besteira. Muito pelo contrário: vaia e manifestação contra, para ele, torto das bolas, é puro bioincentivo.

O importante é a laranja, são os espanhóis, como venho tentando dizer, mas minha aceleração mental e minha agilidade digital impedem-me de expor com a clareza e a simplicidade que o freguês aí merece.

Seguinte: eles lá, ibéricos que são, bolaram um biocombustível todo próprio: na base da laranja. Os laranjais de Valência, para ficar num só exemplo, preparam-se para dar de beber e fazer se mover pelas ruas e estradas do país de Cervantes e Ronaldinho Gaúcho seus carros, ônibus e caminhões.

Uma região de 190 mil hectares de laranjas e limões irão servir de base de etanol para veículos biocítricos, se assim podemos chamá-los.

Valência produz 4 milhões de toneladas de laranjas, sendo que a maior parte acaba em suco, com vodca ou não. 240 mil toneladas ficam bobeando e apodrecendo em torno e acabam virando pastagem de animal irracional (só um irracional iria de papinha cítrica).

Pois, para eles, espanhóis que são, a nossa sopa etanólica acabou: vai toda aquela laranjada e limonada acabar em biocombustível. Vão transformar num etanol para desbancar o nosso.

Aqui procêis, espanhóis! Demos de 7 a 1 em vosso selecionado no Maracanã, em 1950, e querendo damos de mais. Em matéria de etanol, vocês não estão com nada! E Di Stefano, todos sabem, era argentino de nascimento.

Viva o nosso etanol! Viva o Brasil! Todos a cantar de novo eu fui às touradas de Madrid…

 
 
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