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Ato anti-Bush une diferentes tendências na Paulista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A presença do presidente americano George W. Bush em São Paulo uniu pessoas e movimentos sociais das mais variadas tendências no grande e tumultuado protesto realizado contra ele na Avenida Paulista nesta quinta-feira. Embora "Fora Bush" fosse o lema comum, os milhares de manifestantes incluíam das diversas organizações de representação feminina, reunidas na Marcha Mundial da Mulher, partidos de esquerda pró e anti-Lula, à Associação dos Estudantes Muçulmanos. Ao lado de fotografias do presidente americano cobertas com o inconfundível bigode de Adolf Hitler, podiam ser lidas nas faixas e cartazes agitados mensagens que iam da legalização do aborto à implementação do socialismo. "Eu já vinha por causa da Marcha da Mulher. Quando fiquei sabendo do Bush, resolvi vir por isso também", disse a estudante Marina Souza, de 16 anos, que nunca havia participado de um protesto de rua. Chávez Expressando uma opinião corrente entre os manifestantes, Marina disse ser contra o acordo entre Brasil e Estados Unidos na ampliação do mercado consumidor para o etanol. "É um pretexto para colocar o Brasil contra o (presidente venezuelano Hugo) Chávez." A funcionária do Sindicato dos Funcionários do Judiciário Federal Diana da Conceição, de 36 anos, observa que a marcha organizada no Dia Internacional da Mulher nunca havia reunido tantas pessoas. "A participação está sendo muito maior, a militância se uniu", diz Conceição que, no entanto, reconheceu temer que a causa do avanço dos direitos das mulheres "possa ter se perdido um pouco". Apesar de as faixas não o citarem explicitamente, o nome do líder da Venezuela era mencionado por diversos manifestantes. "Chávez é um estadista que se preocupa com sua nação, com o seu povo", disse o presidente da União de Estudantes Muçulmanos do Brasil, Ali Ahmad Majdoub. A coincidência era comum, mas nem todo manifestante anti-Bush dizia-se pró-Chávez. "Ele é um oportunista", definiu o metalúrgico Carlos Antonio da Silva, de 44 anos. "Chávez é de extrema radicalização. Temos de tomar cuidado para não seguir o mesmo caminho", disse Diana da Conceição. "O que importa é que estamos todos aqui contra Bush, é isso o que nos une", disse o estudante de Letras Pedro Rusch, de 25 anos, após tentar convencer o amigo Kalel Schibelsky, admirador de Chávez, de que o regime venezuelano era uma ditadura. Lula As divergências também apareciam quando o assunto era o que o presidente brasileiro deveria fazer com o homem chamado pelos manifestantes de "assassino", "genocida", "terrorista número 1", entre outras apresentações extra-oficiais para o líder americano. Alguns chamavam Lula de traidor pelo simples fato de recebê-lo ou comparavam a presença das tropas brasileiras no Haiti à dos americanos no Iraque. Outros diziam que o presidente seria avaliado pela forma como se comportasse no encontro com o mandatário americano."Se o Lula não se deixar enrolar, o Bush não terá grande vantagem", disse o professor de Ciência Política Eli Pimenta, para quem o projeto de firmar uma parceria com os EUA na área de biocombustíveis seria "um tiro no pé" para o Brasil a longo prazo. A professora de História do Brasil e militante do PC do B Mercedes Alencar, de 40 anos, criticou os ataques de parte da esquerda a Lula, alegando que não era hora de discutir divergências internas e sim de se unir no ataque a Bush. "Estamos aqui para dar respaldo popular para ele (Lula), para que ele se manifeste contra o Bush", disse Mercedes. Iniciada às 15h, a manifestação, que coincidiu com a Marcha Mundial da Mulher, foi durante a maior do tempo pacífica até que, por volta de 18h, horário marcado para começar o ato anti-Bush no MASP, a Polícia Militar começou a jogar bombas de efeito moral e a disparar balas de borracha, causando pânico e correria entre os manifestantes, alguns dos quais saíram feridos. O protesto aconteceu antes da chegada do presidente, que desembarcou por volta das 20h, em meio a um forte de esquema de segurança inédito em São Paulo, e seguiu para o hotel no Morumbi sem ter visto um só "Fora Bush". |
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