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Atualizado às: 05 de março, 2007 - 17h34 GMT (14h34 Brasília)
 
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Visita de Bush é apenas 1º passo para parceria em etanol, dizem analistas
 

 
 
Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush
Lula discutirá parceria sobre etanol com Bush esta semana
A visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Brasil nesta sexta-feira é apenas o primeiro passo de uma parceria entre brasileiros e americanos no setor de biocombustíveis, avaliam líderes empresariais.

“A visita (de Bush) é um excelente ponto de partida para uma relação mais profunda entre Brasil e Estados Unidos sobre biocombustíveis”, avalia o consultor Mário Marconini, da Manatt Jones Marconini Global Strategies, especialista em comércio e relações internacionais.

Segundo ele, Bush, ao visitar o Brasil, está mostrando que o Executivo dos Estados Unidos está disposto a conversar com outros países – como o Brasil – para aumentar a participação do etanol na matriz energética do país, reduzindo a dependência americana do petróleo.

No entanto, no Legislativo americano, diz Marconini, há resistências grandes – sobretudo de lobistas agrícolas, para abrir o mercado americano de biocombustíveis.

Esse debate político, na sua opinião, está apenas no começo nos Estados Unidos.

Abertura ao Brasil

Marcos Jank, presidente do Icone
 O projeto americano é consumir sozinho quase três vezes o que é usado (de etanol no mundo) hoje. Dificilmente eles terão condições de produzir tudo isso sozinhos
 
Marcos Jank, presidente do Icone

“Vai chegar um momento da verdade nos Estados Unidos, em que eles terão de escolher se vão de fato investir no etanol ou abandonar esse projeto. Mas isso só deve ocorrer em um médio prazo. Agora estamos no começo desse processo”, afirma Marconini.

Para o presidente do Instituto de Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Marcos Jank, os Estados Unidos não têm como reduzir sua dependência de petróleo apenas aumentando a sua produção de biocombustíveis.

“Os Estados Unidos têm como meta consumir 132 bilhões de litros de etanol nos próximos dez anos. O mundo todo hoje consome cerca de 50 bilhões. O projeto americano é consumir sozinho quase três vezes o que é usado hoje. Dificilmente eles terão condições de produzir tudo isso sozinhos”, afirma Jank.

“Além disso, o rendimento da cana de açúcar (usada no Brasil para produção do etanol) é o dobro do milho (usado nos Estados Unidos).”

Apesar de acreditarem que uma parceria no setor de etanol entre Brasil e Estados Unidos tem um futuro promissor, tanto Marconini como Jank dizem que Bush dificilmente oferecerá, em sua passagem por São Paulo, uma redução da tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol importado, que tem sido a principal barreira à produção brasileira de biocombustíveis.

Impasse político

Segundo o especialista em política externa americana da Universidade de Maryland (EUA), I.M. Destler, a política comercial do país passa por um momento de incógnita, com poucas definições sobre como serão resolvidos no Congresso os principais impasses comerciais por republicanos e democratas.

“É difícil saber agora se as questões comerciais serão tratadas com cooperação bipartidária ou se ficarão em um impasse”, afirmou Destler.

A indefinição política nos Estados Unidos, segundo ele, impediria definições em diversas negociações comerciais – desde a renovação do Trade Promotion Authority (TPA) às negociações da Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Destler, Marconini e Jank participaram nesta segunda-feira do seminário Negociações Internacionais – Os desafios das relações comerciais Brasil-Estados Unidos promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

 
 
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