BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 27 de janeiro, 2007 - 17h06 GMT (15h06 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Barreira israelense vai confinar 250 mil palestinos, diz ONG
 

 
 
Palestina carrega a filha ao lado de barreira em Belém, na Cisjordânia
Ao norte da Cisjordânia, 120 mil palestinos já estariam isolados
A barreira que Israel está construindo na Cisjordânia vai deixar 250 mil palestinos "confinados" em 21 enclaves e desconectados não só dos territórios israelenses, mas também dos territórios palestinos, segundo relatório divulgado pela ONG Bimkom, de arquitetos israelenses.

Na parte norte da Cisjordânia, 120 mil palestinos já se encontram enclausurados entre muros e cercas e, com a conclusão da construção da barreira, prevista para dentro de um ano, o número de palestinos nessa situação deverá dobrar.

Nos últimos dois anos, a Bimkom realizou um estudo detalhado sobre os efeitos da barreira israelense na vida dos palestinos e chegou à conclusão de que "a capacidade de sobrevivência de dezenas de comunidades confinadas nos enclaves é incerta".

Segundo a previsão da ONG, no longo prazo, os habitantes dos enclaves terão de se mudar para o lado "palestino" da barreira e os vilarejos e aldeias confinados irão se esvaziar.

O relatório também questiona a posição das autoridades israelenses, segundo a qual o objetivo da barreira é garantir a segurança dos civis israelenses e impedir a entrada de homens-bomba em Israel.

Direitos palestinos

Israel contesta a idéia de confinamento argumentando que, nas zonas fechadas, há portões para a passagem dos palestinos, após a devida autorização dos militares israelenses.

Os palestinos, no entanto, reclamam que, muitas vezes à noite, os portões são fechados, criando problemas, principalmente, em casos de emergência.

Para a ONG, que defende os direitos humanos na área do planejamento, a barreira israelense desconsidera "quase que totalmente" os direitos dos palestinos.

Segundo o relatório, "a criação dos enclaves gera danos amplos e graves a quase todos os aspectos da vida cotidiana... o obstáculo físico criado pela barreira impede o acesso de palestinos a lugares de trabalho e dificulta a comercialização de produtos agrícolas".

A ONG também menciona que a barreira impede o acesso de crianças às escolas onde estudavam e de doentes aos hospitais e chega a atingir as relações familiares, dificultando o encontro entre parentes, obrigados a passar por processos burocráticos complicados para obter permissões das autoridades israelenses a fim de entrar ou sair do enclave.

"O traçado tortuoso da barreira que atravessa a Cisjordânia visa principalmente atender às necessidades dos assentamentos israelenses, ignorando quase que totalmente as necessidades da população palestina", disse a coordenadora da Bimkom, Shuli Hartman, à BBC Brasil.

"Um estudo detalhado do traçado demonstra que os planejadores da barreira se concentraram quase que exclusivamente em preservar a estrutura de vida dos colonos israelenses", diz o relatório.

De acordo com a Bimkom, o principal objetivo do traçado da barreira é anexar terras aos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

"A criação dos enclaves é resultado dos seguintes fatores: o desejo de incluir o maior número possível de assentamentos no lado 'israelense' da barreira, o desejo de incluir terras para a expansão futura dos assentamentos e o desejo de proteger estradas reservadas para israelenses e nas quais os palestinos estão proibidos de circular."

'Romper a indiferença'

A análise dos mapas indica que, com a conclusão da construção da barreira, aproximadamente 190 mil dos 250 mil colonos israelenses residentes na Cisjordânia vão ficar do lado "israelense" da barreira.

"O objetivo do relatório é alertar para o preço intolerável que centenas de milhares de palestinos estão pagando. Queremos romper a indiferença a este problema, tanto em Israel como no exterior", afirmou Hartman.

A cidade de Qalqylia, no norte da Cisjordânia, onde moram 45 mil palestinos, já está quase que totalmente cercada pela barreira e, em breve, o vilarejo de Bir Nabala, na região de Jerusalém, terá o mesmo destino.

A construção de um muro de 9 metros de altura ao redor de Bir Nabala vai deixar seus 15 mil habitantes desconectados de Jerusalém.

De acordo com um dos autores do relatório, o arquiteto Alon Cohen-Lifshitz, "com a conclusão da barreira, o acesso ao sistema de educação e aos serviços médicos se tornará impossível para os habitantes do enclave de Bir Nabala".

 
 
Conflito no Oriente MédioOriente Médio
Saiba mais sobre o conflito entre Israel e palestinos.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Israel afrouxa controles na Cisjordânia
01 de janeiro, 2007 | Notícias
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade