14 de dezembro, 2006 - 15h44 GMT (13h44 Brasília)
Telespectadores belgas se assustaram com a notícia de que metade do seu país havia declarado independência unilateralmente – para depois descobrir que o anúncio não passava de uma brincadeira.
A falsa notícia foi veiculada na quarta-feira à noite pelo canal estatal belga de televisão RTBF, em língua francesa.
A TV afirmou que a região de Flandres, a metade de língua holandesa no norte da Bélgica, havia declarado independência, se separando da parte que fala francês.
Imagens supostamente “ao vivo” mostravam multidões agitando a bandeira flamenga, longas filas de trânsito em direção aos aeroportos e trens interrompidos nas proximidades das “novas fronteiras”.
Milhares de pessoas telefonaram para a TV estatal. O site da RTBF entrou em colapso por causa do excesso de pessoas tentando acessá-lo, e políticos fizeram declarações repercutindo o assunto.
Orson Welles
“Nossa intenção foi mostrar aos telespectadores belgas a intensidade do assunto para o futuro da Bélgica, e a possibilidade real de que a Bélgica deixe de ser um país em alguns meses”, disse à BBC o gerente de notícias da RTBF, Yves Thiran.
As últimas eleições locais belgas mostraram forte apoio para o partido nacionalista de extrema-direita Vlaams Belang, advogado da independência de Flandres.
O primeiro-ministro, Guy Verhosfstadt, criticou a TV de língua francesa pela iniciativa.
“Foi um Orson Welles de mau gosto”, ele afirmou, referindo-se a uma clássica “pegadinha” do diretor, que em 1938 levou ouvintes de rádio americanos a acreditar que o mundo estava sendo invadido por marcianos.
“No atual contexto, é irresponsável um canal público de televisão anunciar o fim da Bélgica, como uma realidade apresentada por jornalistas de verdade”, acrescentou o primeiro-ministro.
O diretor do canal admitiu que muitos belgas não entenderam a piada.
“Obviamente, assustamos muitas pessoas – talvez mais que esperávamos”, disse Yves Thiran.