05 de dezembro, 2006 - 08h41 GMT (06h41 Brasília)
Paulo Cabral
Enviado especial a Beirute
A vigília da oposição libanesa no centro de Beirute pedindo a renúncia do governo ganha ao anoitecer a cara de um animado evento social, com vendedores ambulantes, música, dança, comida, conversa, baralho e paquera dividindo o espaço com bandeiras, palavras de ordem e discursos.
Um clima festivo – chega a lembrar as manifestações dos jovens “caras-pintadas” pedindo o impeachment do presidente Collor nos anos 90 – que mascara uma tensão crescente com a crise política que domina o Líbano.
Nesta terça-feira os manifestante vão realizar o funeral de Ahmed Ali Mahmoud, de 21 anos, um xiita que foi morto a tiros na noite de domingo num bairro sunita da capital libanesa durante um confronto entre jovens dos dois grupos.
Mahmoud já foi velado na segunda-feira pela familia e à noite foi levado para o centro de cidade para a procissão funerária e o sepultamento, na terça-feira. É um momento em que ânimos costumam ficar exaltados e o temor pelo risco de violência aumenta.
“Já houve um morto e varios feridos e nós continuamos aqui. Nós estamos dedicados à causa e por isso não temos medo”, disse o estudante xiita Amou Chali.
Partidos
Chali é um dos muitos jovens participando deste protesto sem filiação formal com nenhum dos grupos de oposição, na maioria identificados como pró-Síria e se opondo a um governo que consideram pró-Estados Unidos.
O estudante vestia uma camiseta do grupo xiita Hezbollah, um boné do grupo xiita Amal e uma bandeira do grupo cristão de Michel Aoun, as três principais agremiações (nesta ordem de tamanho e influência) presentes no protesto.
Completava o figurino uma faixa no pescoço com imagens de Che Guevara, face bastante comum em camisetas, bandeiras e broches de manifestantes.
“Esse governo trabalha com os Estados Unidos, trabalha com Israel. Eles estão se aliando com aqueles que querem a guerra no Líbano”, disse Chali.
Violência
A oposição, liderada pelo Hezbollah, diz que não tem nenhuma intenção de adotar táticas violentas mas que vai manter a pressão até que o gabinete do primeiro-ministro Fouad Siniora renuncie.
“Vamos ficar aqui (nas ruas) até o governo cair. Temos tempo”, disse Mohamed Hassan Gabres, simpatizante do Hezbollah.
Mas o primeiro-ministro vem recebendo apoio do Ocidente e dos países árabes e não dá nenhum sinal de ceder às pressões oposicionistas.